quinta-feira, 5 de maio de 2011

OLHAR....

  Um olhar choroso,daquele encarcerado,mostrando uma  lágrima correndo em seu rosto, no noticiário da noite,me fizeram associar umas ideias...As coisas que vemos no dia a dia, as emoções que elas nos passam...lembrei-me do que havia visto dias atrás.
De dentro do ônibus ,quase chegando em casa,observei pela janela a casa do seu Lamartine...uma casa um tanto diferente,sem cor definida,rodeada de armações de canos,escadas pra la e pra cá,vitrôs de diferentes modelos,com se não casassem, emendas  de  reformas aparentes,constituindo um modelo de arquitetura indefinido!
É ali onde ele mora,pertinho de casa e posso ouvi-lo passar! 
Oras com seu carro preto,com o escapamento furado, oras em seu caminhão vermelho roncando o motor na subida,todas as vezes que ele vai  volta do seu Ferro velho.
Um estabelecimento situado na beira do rio... que antes ,nas chuvas se transformava em um grande lago e que penetrava nas casa dos moradores... 
É ali, bem ali que vi tudo o que me marcou...
Logo na entrada , portas imensas com cadeados "medievais" protegem  o local,de roubo por pessoas que vivem de drogas, e que frequentam a rua.
Lá dentro já se encontra, arquitetos ,artistas plásticos e pessoas como eu que vem a procura material de demolição.
Com esse objetivo, naquele dia chuvoso e frio conversei com ele pela primeira vez...Deixou-me  a vontade para que pudesse me divertir , naquele shopping de usados, com seus labirintos de empilhados.


Ia andando devagar e com cuidado, por entre uma enorme quantidade de acentos sanitários que não confortam mais ninguém...


Tampos de pias  de cozinha , encardidos, não de sujeira,mas de lembranças que se diluíram pelo ralo...


Portas antigas que se fecharam para o passado, pararam no  presente e calmamente esperam um futuro !


Janelas embaçadas, com vidros quebrados,fechadas para nem um,ou nenhum ,olhar ou sorriso!


Varais que secaram mil roupas ao sol, hoje não secam nem vento...


Escadas que subiam aos céus, ali estão emperradas com suas pernas duras...


Fogões à lenha na chuva esfriando a chapa,sem lenha nem fumaça... 


Grades de ferro desenhadas, deixando a solta , pensamentos e lembranças!


Cemitério de calçadas e tijolos de um lar desfeito...


A cada passo um gemido ...e  no meio das goteiras , seu  Lamartine se aproximou.. com seu bigode despenteado, seu cabelo molhado, seu jeito pequeno...Um homem falante e feio, com óculos escuros , característicos , mediante a pergunta do porque ele os usava, ele respondeu, se explicou e enfim os retirou. 


Nesse momento , aquele homem que se fazia  a anos , feio a  mim, mostrou um par de olhos verdes, cor d agua , os mais lindos que já vi !




cassianatabalipa.




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