A voz da tv baixinha,café na mesa, nós dois lembrando do velho Dirceuzinho.
- Eu gostava do teu pai, era um cara legal, conversava muito com ele, depois que ele me adicionou ao clã.
-Rimos...
( Sei que gostavam mesmo era de falar sobre o mar, barcos, marinha, viagens...)
(No começo do namoro o meu pai, não tinha muita simpatia por ele, acho que tinha ciúmes, por ter ido embora de casa aos 40 anos e o Zé entrou meio que no lugar dele!)
-Batíamos bons papos, pena que o nosso convívio foi pouco...
Deveríamos ter ido muito mais vezes para Antonina...
- Agora é tarde ...
Um silêncio ...e um ardido na garganta que sempre dá antes das lágrimas ,chegou.
Nele , no silêncio, deu tempo de lembrar, de quando estávamos no hospital , ele de calçãozinho ralo, pernas finas, magrinho, com o diagnóstico de câncer de próstata entre outros, no salão esperando o atendimento sentado numa cadeira de rodas.
Nesse mesmo dia em que o atendimento foi demorado e não se realizou pois na sua vez depois da espera o médico simplesmente foi embora dizendo que não iria mas atender naquele dia.
As razões não deu...mas olhei bem em seus olhos antes da sua saída...
Foi nessa espera num salão grande que o vi conversando com uma senhora , como sempre fazia...
Falante trocando figurinhas de tratamentos e remédios...
Peguei -o no meio do papo na hora em que ele dizia..."pois eu, eu, fiz "vários exames" ...lá em baixo..."
Entrei na conversa e perguntei: lá embaixo pai, lá embaixo onde, em Paranaguá ou Antonina?
- Lá em baixo , no " fiofó"...fizeram exames no meu fiofó.
O meu riso e de todos ao redor foi grande!
Lembranças que ficam.
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