terça-feira, 10 de outubro de 2017

Doideira

Quer tentar entender a doidera que passei  tentando dormir e tendo esses pensamentos um atrás do outro ? 

Sem pestanejar​...de olhos fechados ,fui escrevendo num papel grosso e grande tudo oque sequencialmente me vinha a mente.

 Reflexo de um simples e inofensivo chá mate que tomei a tarde na cidade. ( Já alucinei várias vezes depois de tomar coca cola ,a ponto de ficar vendo mil caras de pessoas passando na porta de um metrô )...então vamos às frases...

1--Olhou pra trás imaginando a luz do tal planeta.

2- Eu aqui...e você lá.

3- Viemos  santos, santos voltaremos!

4-Do clarão ao mais escuro...

5-O tempo que não passa , pela luz opaca da vidraça!

6-chuva de arroz no casamento ,feito felicidade em pedaços do firmamento.

7-Uma nota?  Nem um acorde?

8-Gostoso como um beijo de esquina!

9-Embora eu não esteja...meus desejos estáo.

10-Anilina, purpurina...

11- Não me olhe assim , não , papai do ceu !

****por favor me digam : isso tem cura?

(

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Pela rua...

E ela...nem estava pedindo...Estava só passando por mim,empurrando uma cadeira de rodas muito velha.
As rodas desobedientes enveredando para os lados e caindo atravessadas nos vãos das calçadas irregulares.
Quanto esforço,daquela mãe com aparência sofrida.
Seu filho adulto, alto, com paralisia cerebral na certa, seguia por entre as pessoas, levado por ela
Escorregado na cadeira, quase deitado..
Foi muito rápido  o nosso transpasse na praça.
Ela não me pediu, mas eu dei...
Recebi de troco uma única frase:
Nós estávamos com fome!

domingo, 24 de setembro de 2017

sábado, 23 de setembro de 2017

Pai

Foi bem rapidinho, como essa escrita.
Parei no portão da tornearia pra pegar uma peça
O torneiro não estava.
Só o filho, homem.
De longe eu disse:
..- manda um abraço pra ele!
(Ele)...- ( positivo com o dedo)...
(Eu)...- Manda , não... dá um abraço no pai.
(Ele)...----Falou tudo, muito certo! Dou ...

 ***Fui , com a certeza que os dois iam se abraçar mais tarde! Vi

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Mãe

E  ele está internado, sem receber visitas, por ordem médica. E eu que um dia cheguei a pensar  que fosse cuidar dele na velhice, que me preocupava com seu excesso de paieiros, chegando a ser chata... seu excesso de "Xaxixo", seu excesso de coxinhas e refrigerantes no bar, seu gosto estranho por comida com muita gordura, achando que a minha não tinha gosto...
Eu , que sabia e mais ninguém que ele já havia tido um avc.
Que insisti no feitio da dentadura, abandonada logo nos primeiros dias...
Que escutei suas histórias tristes da infância...
Que me indignei  muito com elas...muito serias...
Que tentei saber da clínica psiquiátrica como ele está , sem receber informações...por não ser parente , nem ter credencial...
Eu mesma...hoje me indignei mais um pouco...ao encontrar sua genitora na estrada e a vi, meio que se escondendo entre golas , com o pescoço encolhido , para que eu não a reconhecesse ao passar por ela e assim não pudesse cobrar, entre muitas coisas... por que não fez o acompanhamento do uso ou " não uso " dos seus remédios fortes, que a sua falta o fizeram ...surtar.

Função de mãe é eterna!


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

ida sem volta

Tem coisa que a gente se espanta, por exemplo hoje : um pedido de uma amiga pra eu escrever algo na minha página. 
Ah ! Se fosse assim fácil , pra mim. Só escrevo mesmo, quando a coisa vem.
Estou há dias tentando escrever um fato que aconteceu comigo, que me fez entender que quando se quer ajudar alguém.... não se deve deixar pra depois.
Eu, dias atrás, ponho em dia uma louçarada, vi no fundo da cuba entre os pires, garfos e facas
Uma minúscula joaninha.Daquelas que toda criança ama, que os adultos também continuam gostando...das vermelhinhas...
Lavando a louça e ela se esquivando dos jatos de água, da espuma ...Abri a torneira e fechei muitas vezes e ela ali...lutando pela sua vida, com o perigo do ralo ao seu lado. Confesso que pensei em tira - lá dali muitas vezes...mas fui protelando.Limpei a louça, embalei os figos, demorando muito e ela ainda ali. Pus a sopa no fogo,depois de lidar com a carne e os legumes e fui deixando pra retira- la dali por último...
Mas quando decidi, me preparar pra pegá- la com cuidado pra não machucar suas asinhas abertas...me distrai e dei-lhe um jato tão forte de água, que a fiz sumir ralo abaixo!
Uma bobagem de história... não é ?
Uma bobagem de joaninha...
Mas aprendi com ela, se for pra ajudar alguém...seja rápido...não protele, não espere...as vezes pode ser tarde demais.

domingo, 9 de julho de 2017

seu Nhoca



Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras. 
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade. 
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra, 
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala