domingo, 9 de julho de 2017

seu Nhoca



Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras. 
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade. 
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra, 
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala

Nenhum comentário:

Postar um comentário