As pessoas hoje em dia , morando em cidades grandes,muitas vezes são engolidas por esse transito maluco , obedecendo horários, tentando cumprir metas cada vez maiores, pressionadas de todas as mais diversas formas , talvez não entendam oque é viver ... viver... no campo.
Pra mim há diferença entre viver e morar...
Viver é ter vida! E não ter que dizer... infelizmente.:
Graças à Deus que acabou mais um dia...
Graças à Deus que acabou mais um dia...
Enquanto muitos procuram saídas, canais,caminhos europeus de caminhada e sofrimento para se encontrarem , outros sobem montanhas nos finais de semana para sentir o verde ou mesmo fogem pro mar pra ter paz , eu as vezes , na contramão, fugo pra cidade...
Vou a procura de gente
Tem dias que necessito falar com pessoas que não tenham assuntos viciados,quem eu nunca tenha visto, preciso ver pessoas novas, pois não enxergo daqui...uma casa ou um carro qualquer!
. Tenho necessidade do novo ...
Precisava ir até a Santa Casa e fui de busão
Depois de caminhar pelas praças Tiradentes, Carlos Gomes , cheguei à Rui Barbosa...
( Ah... se Joaquim José das Silva Xavier ,( nosso amigo Tiradentes), Nhô Tonico ,( como assinava Antônio Carlos Gomes em suas dedicatórias) ou ainda o diplomata baiano Rui Caetano Barbosa de Oliveira soubessem o tanto de "moradores" que se acomodam em suas calçadas e jardins... enrolados em cobertores em pleno meio dia,com certeza se assustariam como eu !)
Mas chegando enfim a passos lentos criei coragem e atravessei bem pelo meião " A Rui Barbosa" pensando: Meio dia , é o horário mais povoado e não vou ter problemas...
O dia estava lindo , bem claro e oque vi, pelos bancos , foram amigos em duplas, senhoras simples com seus senhores e amigas.
Alguns panfletistas e pra variar muitos dormidores de rua, agora usando como estrado : pallets , edredons e cobertores...uma pena...As vezes quando falo de Curitiba... tenho vergonha disso !
Alguns panfletistas e pra variar muitos dormidores de rua, agora usando como estrado : pallets , edredons e cobertores...uma pena...As vezes quando falo de Curitiba... tenho vergonha disso !
Entrei na Santa Casa, peguei minha senha e sentei ao lado duma senhora alta , pele morena clara, gordinha e como me contou , 80 anos.
Começamos conversar e num olhar despistado , tentando não ser indiscreta, notei sua mão enorme e logo pensei ser elefantíase...já lembrei do danado do mosquito aedes e seus amigos transmissores, "feito aquela turminha braba da antiga... Bardahl.."
Começamos conversar e num olhar despistado , tentando não ser indiscreta, notei sua mão enorme e logo pensei ser elefantíase...já lembrei do danado do mosquito aedes e seus amigos transmissores, "feito aquela turminha braba da antiga... Bardahl.."
Conversávamos mais , quando me dizia que estava ali , não para ser atendida , mas sim para não ficar na rua esperando seu neto , ali se sentia segura,depois das compras,tinha banheiro limpo e descansava um pouco... bem espertinha !
Mais um pouco de conversa ,agora sobre pele bonita e ela sem rugas me dizia que nunca usou nenhum produto no rosto ...
a danadinha sem rugas !
a danadinha sem rugas !
Meu olhar, sem rédeas, passeou pelo seu braço, sendo sustentado por uma tipoia, pois estava enorme..( melhor eu dizer que " estava" do que usar as palavras " era enorme" atribuindo assim...uma salvação possível para o problema ! )
Seu telefone tocou, na verdade infelizmente não tivemos muito tempo pra nossa conversa, fomos chamadas ao mesmo tempo , eu no atendimento e ela no celular.
Atendeu seu pequeno e antigo celular com a mão doente, explicando ser causado por um linfoma e que começaria fazer drenagens linfáticas com uma medica alemã para tentar novo tratamento, auxiliada financeiramente por um grupo no face
Vê-la atender aquele aparelho, conseguindo digitar com a sua pequena unha em meio a aquele enormes dedos, com formatos de troncos de árvores,um dedo pra cada lado dividindo espaço, sem vergonha do seu estado nem um sentimento parecido...normal... numa simplicidade anormal, numa postura ereta, pessoa agradável de se conversar, doce ao falar com o neto, e cheia de esperança me fez lembrar da importância exagerada que damos aos corpos , as unhas em especial hoje em dia... o exagero de valor que damos à beleza, a moda o quanto muitas vezes reclamamos de coisas sem valor ...e penso :
...Convivendo com diferenças e refletindo ...podemos crescer
um pouquinho a cada dia
um pouquinho a cada dia
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