sexta-feira, 22 de abril de 2011

ficar.

Vou ficar aqui, bem quietinha,sentada,frente ao mar,enquanto todos de
casa dormem...
(de casa porque viemos todos de lá...) mas dormem no veleiro,que está em terra.)
Que coisa louca!
O mar a quatro passos de mim,chão firme a meus pés e a frente uma rua
de àgua por onde chegam as canoas à vila...
 Desfiles de cores e modelos...
Umas mudas e lentas à remo,melancólicas e sem pressa!
Outras apressadas e barulhentas trazendo à sua frente um bigode
português de espuma branca...
Algumas precavidas contra o sol e à chuva,com toldos ,outras tão indefesas...
Guarda-sóis coloridos fazem parte deste cenário,abrigando mulheres e
crianças,sentadas à popa.
Na contramão,saindo da mesma vila,uma barca de turistas alegres,
Eles sempre são alegres...
Cheios de planos,à procura de prazer e diversão!
No mar, diz-se sempre que o retorno é incerto...
(mas na vida, todos os dias em qualquer lugar, o retorno é sempre incerto...
É quando a necessidade de voltar, deixa de ser  "necessária" ,por
vontade divina e seguimos em frente por outros caminhos...
A gente se habitua a não pensar nisso, convive com a incerteza e até
se esquece dela!
Habitua-se  tanto com as coisas,com a falta de silencio,não se altera
com o radio alto que ligaram agora,nem com a bronca dada a um cachorro
intruso...menos ainda com os gritos de uns meninos saindo para uma
pescaria.)...
Continuo em meus "entenderes solitários", e o mar,que me parecia vazio
de idéias, quieto,misterioso,me rodeia, me envolve, sem me molhar...
Brinco entre o real e o imaginário.Um jogo de xadrez entre o que vejo
e o que sinto....
O estar aqui e lá... navegando,.. indo com uns ,voltando com outros...
Oras dentro de uma canoa à remo,oras à motor,ou mesmo ancorada a esta cadeira...
Enquanto todos lá de casa , dormem,,, dentro do veleiro.

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