Vou ficar aqui, bem quietinha,sentada,frente ao mar,enquanto todos de
casa dormem...
(de casa porque viemos todos de lá...) mas dormem no veleiro,que está em terra.)
Que coisa louca!
O mar a quatro passos de mim,chão firme a meus pés e a frente uma rua
de àgua por onde chegam as canoas à vila...
Desfiles de cores e modelos...
Umas mudas e lentas à remo,melancólicas e sem pressa!
Outras apressadas e barulhentas trazendo à sua frente um bigode
português de espuma branca...
Algumas precavidas contra o sol e à chuva,com toldos ,outras tão indefesas...
Guarda-sóis coloridos fazem parte deste cenário,abrigando mulheres e
crianças,sentadas à popa.
Na contramão,saindo da mesma vila,uma barca de turistas alegres,
Eles sempre são alegres...
Cheios de planos,à procura de prazer e diversão!
No mar, diz-se sempre que o retorno é incerto...
(mas na vida, todos os dias em qualquer lugar, o retorno é sempre incerto...
É quando a necessidade de voltar, deixa de ser "necessária" ,por
vontade divina e seguimos em frente por outros caminhos...
A gente se habitua a não pensar nisso, convive com a incerteza e até
se esquece dela!
Habitua-se tanto com as coisas,com a falta de silencio,não se altera
com o radio alto que ligaram agora,nem com a bronca dada a um cachorro
intruso...menos ainda com os gritos de uns meninos saindo para uma
pescaria.)...
Continuo em meus "entenderes solitários", e o mar,que me parecia vazio
de idéias, quieto,misterioso,me rodeia, me envolve, sem me molhar...
Brinco entre o real e o imaginário.Um jogo de xadrez entre o que vejo
e o que sinto....
O estar aqui e lá... navegando,.. indo com uns ,voltando com outros...
Oras dentro de uma canoa à remo,oras à motor,ou mesmo ancorada a esta cadeira...
Enquanto todos lá de casa , dormem,,, dentro do veleiro.
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