sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Aniversário.

José Guilherme Veiga...quase isso ,pois registramos esse menino quando bebê,também com o meu sobrenome "de Paula' ...mas não sei porquê ele abandonou...rsrs .Talvez um outro sinal de independência que teve entre muitos desde pequenininho...Desde seu parto,que foi rapidíssimo e natural,na escolinha que foi pra sala  e nem olhou pra trás,a primeira pedalada na sua bicicletinha ;que saiu logo se equilibrando sem rodinhas e está pedalando pelo mundo até agora...Acho que independência é mesmo um dos seus maiores qualificativos..mas tem outros,muitos outros.Ele tem um sorriso largo que invade os que estão ao seu lado... tem um carisma que cativa e da abertura pra muita conversa boa...é um bom filho que sempre teve um tempo ,pra deitar comigo e ficar ...passando. É bom companheiro pra longas ou curtas velejadas,por ser ponderado e tranquilo nas situações difíceis... Pé de boi  pra fazer serviço bruto,carregar peso,pedra,fazer buraco,calçadas  ...srsr, subir e cair de telhado! Amigo e companheiro do irmão mais velho , Caio ,que respeita e fica horas as vezes nas noites batendo  papo e fazendo planos juntos para o futuro...Esse é meu filho, esse é nosso filho... meu do meu marido e do mundo!Mundo que ele está vendo de pertinho a cada passada pelos mais diferentes pontos...E é  justamente por esse motivo, que hoje no seu aniversário, não podemos trocar um abraço, não podemos ficar pertinho...Justamente por hoje que pedi aos meus amigos dias atrás,que lhe enviassem boas energias  em direção à ele...pois tenho certeza que ele as receberá.Feliz aniversário,meu filho!  Te amamos e te esperamos!

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Doideira

Quer tentar entender a doidera que passei  tentando dormir e tendo esses pensamentos um atrás do outro ? 

Sem pestanejar​...de olhos fechados ,fui escrevendo num papel grosso e grande tudo oque sequencialmente me vinha a mente.

 Reflexo de um simples e inofensivo chá mate que tomei a tarde na cidade. ( Já alucinei várias vezes depois de tomar coca cola ,a ponto de ficar vendo mil caras de pessoas passando na porta de um metrô )...então vamos às frases...

1--Olhou pra trás imaginando a luz do tal planeta.

2- Eu aqui...e você lá.

3- Viemos  santos, santos voltaremos!

4-Do clarão ao mais escuro...

5-O tempo que não passa , pela luz opaca da vidraça!

6-chuva de arroz no casamento ,feito felicidade em pedaços do firmamento.

7-Uma nota?  Nem um acorde?

8-Gostoso como um beijo de esquina!

9-Embora eu não esteja...meus desejos estáo.

10-Anilina, purpurina...

11- Não me olhe assim , não , papai do ceu !

****por favor me digam : isso tem cura?

(

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Pela rua...

E ela...nem estava pedindo...Estava só passando por mim,empurrando uma cadeira de rodas muito velha.
As rodas desobedientes enveredando para os lados e caindo atravessadas nos vãos das calçadas irregulares.
Quanto esforço,daquela mãe com aparência sofrida.
Seu filho adulto, alto, com paralisia cerebral na certa, seguia por entre as pessoas, levado por ela
Escorregado na cadeira, quase deitado..
Foi muito rápido  o nosso transpasse na praça.
Ela não me pediu, mas eu dei...
Recebi de troco uma única frase:
Nós estávamos com fome!

domingo, 24 de setembro de 2017

sábado, 23 de setembro de 2017

Pai

Foi bem rapidinho, como essa escrita.
Parei no portão da tornearia pra pegar uma peça
O torneiro não estava.
Só o filho, homem.
De longe eu disse:
..- manda um abraço pra ele!
(Ele)...- ( positivo com o dedo)...
(Eu)...- Manda , não... dá um abraço no pai.
(Ele)...----Falou tudo, muito certo! Dou ...

 ***Fui , com a certeza que os dois iam se abraçar mais tarde! Vi

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Mãe

E  ele está internado, sem receber visitas, por ordem médica. E eu que um dia cheguei a pensar  que fosse cuidar dele na velhice, que me preocupava com seu excesso de paieiros, chegando a ser chata... seu excesso de "Xaxixo", seu excesso de coxinhas e refrigerantes no bar, seu gosto estranho por comida com muita gordura, achando que a minha não tinha gosto...
Eu , que sabia e mais ninguém que ele já havia tido um avc.
Que insisti no feitio da dentadura, abandonada logo nos primeiros dias...
Que escutei suas histórias tristes da infância...
Que me indignei  muito com elas...muito serias...
Que tentei saber da clínica psiquiátrica como ele está , sem receber informações...por não ser parente , nem ter credencial...
Eu mesma...hoje me indignei mais um pouco...ao encontrar sua genitora na estrada e a vi, meio que se escondendo entre golas , com o pescoço encolhido , para que eu não a reconhecesse ao passar por ela e assim não pudesse cobrar, entre muitas coisas... por que não fez o acompanhamento do uso ou " não uso " dos seus remédios fortes, que a sua falta o fizeram ...surtar.

Função de mãe é eterna!


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

ida sem volta

Tem coisa que a gente se espanta, por exemplo hoje : um pedido de uma amiga pra eu escrever algo na minha página. 
Ah ! Se fosse assim fácil , pra mim. Só escrevo mesmo, quando a coisa vem.
Estou há dias tentando escrever um fato que aconteceu comigo, que me fez entender que quando se quer ajudar alguém.... não se deve deixar pra depois.
Eu, dias atrás, ponho em dia uma louçarada, vi no fundo da cuba entre os pires, garfos e facas
Uma minúscula joaninha.Daquelas que toda criança ama, que os adultos também continuam gostando...das vermelhinhas...
Lavando a louça e ela se esquivando dos jatos de água, da espuma ...Abri a torneira e fechei muitas vezes e ela ali...lutando pela sua vida, com o perigo do ralo ao seu lado. Confesso que pensei em tira - lá dali muitas vezes...mas fui protelando.Limpei a louça, embalei os figos, demorando muito e ela ainda ali. Pus a sopa no fogo,depois de lidar com a carne e os legumes e fui deixando pra retira- la dali por último...
Mas quando decidi, me preparar pra pegá- la com cuidado pra não machucar suas asinhas abertas...me distrai e dei-lhe um jato tão forte de água, que a fiz sumir ralo abaixo!
Uma bobagem de história... não é ?
Uma bobagem de joaninha...
Mas aprendi com ela, se for pra ajudar alguém...seja rápido...não protele, não espere...as vezes pode ser tarde demais.

domingo, 9 de julho de 2017

seu Nhoca



Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras. 
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade. 
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra, 
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala

sábado, 1 de julho de 2017

falei...

Tá bom...eu poderia sair da cama e não pensar mais no que aconteceu ontem.Eu poderia ficar calada mas não consigo .
Afinal era cinco da manhã quando o celular me acordou, um frio razoável e " me fui " à consulta marcada há vários meses.
Claro que comigo , muitas e muitas outras pessoas daqui ou de outras cidades fizeram o mesmo.Com problemas muito mais sérios de câncer, com problemas muito mais sérios que o meu .Passando frio e muitos com dor.
Não fui só eu ,quem aguardou , pacientemente das sete da manhã às 14:00 horas para fazer exames.Não fui só eu, quem no final da manhã fui contemplada por uma palestra de um médico a cerca dos benefícios que se pode ter , evitando o uso do álcool, evitando o consumo do cigarro e outras drogas e o uso em excesso de comidas.
Enquanto ele, o senhor doutor falava, o qual não sei seu nome pois perdi a apresentação enquanto fazia um raio x, notei que o mesmo se colocava "acima" de todas aquelas pessoas com problemas sérios de saúde.Embora a intenção dele fosse muito boa, discordo da forma como abordava cada assunto , sempre imperativo falando de tal forma que se excluía de todos os fatos ali citados como se ele fosse um extra terrestre : Vocês isso , vocês aquilo...em nenhum momento usando a primeira pessoa do plural.
Meu sangue não ferveu mas ...borbulhou !
Perguntei a mim, em silencio...por que esse senhor doutor, não se inclui na sua fala? Isso de certa forma daria um consolo aos que ali estavam tão frágeis por seus pecados cometidos resultando em doenças...Por que ele não falava no plural?
Então , quando ele abordou com mais palavras o termo alimentação, o "zoinhho" da Cassiana , abriu -se pra "zoião.
e passeou pela barriga do senhor doutor e encontrou um grande espaço!
Pronto...a água ferveu.
A palestra acabou e ele entrou no seu consultório ,pois nós o aguardávamos falar para sermos atendidos. Era ali que nós receberíamos o laudo do eletrocardiograma.
Espera , espera e entre as poucas pessoas da sala , ainda estava eu.
Cassiana Tabalipa , chamou a sua secretaria .
Entrei pedindo licença, sentei ...pedindo licença .
Nenhuma palavra dele.
Nenhum olhar...
Nem um bom dia, nem uma boa tarde !
Nem uma palavra se eu estava bem ...( embora tivesse ouvido de uma senhora um pouco antes.." é claro que todos que estamos aqui...não estamos bem !")
Calei.
Sentei .
E ele olhando o resultado do exame num milésimo de segundo num olhar à mim´,só falou
A senhora tem que emagrecer !
Levei um susto !( lembrei num ímpeto a dureza de eliminar 5 quilos, nesses últimos meses...caramba... e se eu estivesse mais gordinha oque ouviria ?)
Sem querer a minha reação foi automática , pois me veio a mente depois disso , aquela sua barriga e aquela sua arrogância ...
Uma unica palavra saiu da minha boca depois daquela sua unica frase:
------- NÓS ------.
e ele,( acho que sem ter me entendido) repetiu :
A senhora tem que emagrecer !
e eu calma e rapidamente disse:
------------NÓS------
Com os olhos azuis bem abertos , me entregou o exame e me disse: esta tudo certo !
Fui.

metida...

Na saída duma loja dois amigos se encontram...um subindo na bicicleta e o outro dizendo...ainda bem que vc veio com a nova, deixou a veia em casa...e eu bem metida falei ...vcs não estão falando de mulher né

pessoas

As pessoas hoje em dia , morando em cidades grandes,muitas vezes são engolidas por esse transito maluco , obedecendo horários, tentando cumprir metas cada vez maiores, pressionadas de todas as mais diversas formas , talvez não entendam oque é viver ... viver... no campo.
Pra mim há diferença entre viver e morar...
Viver é ter vida! E não ter que dizer... infelizmente.:
Graças à Deus que acabou mais um dia...
Enquanto muitos procuram saídas, canais,caminhos europeus de caminhada e sofrimento para se encontrarem , outros sobem montanhas nos finais de semana para sentir o verde ou mesmo fogem pro mar pra ter paz , eu as vezes , na contramão, fugo pra cidade...
Vou a procura de gente
Tem dias que necessito falar com pessoas que não tenham assuntos viciados,quem eu nunca tenha visto, preciso ver pessoas novas, pois não enxergo daqui...uma casa ou um carro qualquer!
. Tenho necessidade do novo ...
Precisava ir até a Santa Casa e fui de busão
Depois de caminhar pelas praças Tiradentes, Carlos Gomes , cheguei à Rui Barbosa...
( Ah... se Joaquim José das Silva Xavier ,( nosso amigo Tiradentes), Nhô Tonico ,( como assinava Antônio Carlos Gomes em suas dedicatórias) ou ainda o diplomata baiano Rui Caetano Barbosa de Oliveira soubessem o tanto de "moradores" que se acomodam em suas calçadas e jardins... enrolados em cobertores em pleno meio dia,com certeza se assustariam como eu !)
Mas chegando enfim a passos lentos criei coragem e atravessei bem pelo meião " A Rui Barbosa" pensando: Meio dia , é o horário mais povoado e não vou ter problemas...
O dia estava lindo , bem claro e oque vi, pelos bancos , foram amigos em duplas, senhoras simples com seus senhores e amigas.
Alguns panfletistas e pra variar muitos dormidores de rua, agora usando como estrado : pallets , edredons e cobertores...uma pena...As vezes quando falo de Curitiba... tenho vergonha disso !
Entrei na Santa Casa, peguei minha senha e sentei ao lado duma senhora alta , pele morena clara, gordinha e como me contou , 80 anos.
Começamos conversar e num olhar despistado , tentando não ser indiscreta, notei sua mão enorme e logo pensei ser elefantíase...já lembrei do danado do mosquito aedes e seus amigos transmissores, "feito aquela turminha braba da antiga... Bardahl.."
Conversávamos mais , quando me dizia que estava ali , não para ser atendida , mas sim para não ficar na rua esperando seu neto , ali se sentia segura,depois das compras,tinha banheiro limpo e descansava um pouco... bem espertinha !
Mais um pouco de conversa ,agora sobre pele bonita e ela sem rugas me dizia que nunca usou nenhum produto no rosto ...
a danadinha sem rugas !
Meu olhar, sem rédeas, passeou pelo seu braço, sendo sustentado por uma tipoia, pois estava enorme..( melhor eu dizer que " estava" do que usar as palavras " era enorme" atribuindo assim...uma salvação possível para o problema ! )
Seu telefone tocou, na verdade infelizmente não tivemos muito tempo pra nossa conversa, fomos chamadas ao mesmo tempo , eu no atendimento e ela no celular.
Atendeu seu pequeno e antigo celular com a mão doente, explicando ser causado por um linfoma e que começaria fazer drenagens linfáticas com uma medica alemã para tentar novo tratamento, auxiliada financeiramente por um grupo no face
Vê-la atender aquele aparelho, conseguindo digitar com a sua pequena unha em meio a aquele enormes dedos, com formatos de troncos de árvores,um dedo pra cada lado dividindo espaço, sem vergonha do seu estado nem um sentimento parecido...normal... numa simplicidade anormal, numa postura ereta, pessoa agradável de se conversar, doce ao falar com o neto, e cheia de esperança me fez lembrar da importância exagerada que damos aos corpos , as unhas em especial hoje em dia... o exagero de valor que damos à beleza, a moda o quanto muitas vezes reclamamos de coisas sem valor ...e penso :
...Convivendo com diferenças e refletindo ...podemos crescer
um pouquinho a cada dia

sábado, 10 de junho de 2017

venham...

Mãe...vão uns escoteiros acampar aí, tudo bem?
E eu aguardei o primeiro contato deles, até que ligaram dizendo se poderiam chegar hoje as 9:30, pra conversarmos primeiro... Pra quem recebe cicloturistas do mundo ... oque é escoteiros de Curitiba ! rsrs
Hoje chegaram bem na horinha que eu estava com os braços cheios de roupas úmidas pra por no varal...Havia me agasalhado muito , meia calça de lã bordô mais uma meinha nova de florzinhas rosas , botinas , saião grosso de lã, e por fim um blusão bonito de tranças frontais.
Chegaram os cinco...
Fomos fazer uma vistoria da área .Começamos pela casinha, onde pus a disposição , o fogão à lenha, banho quente, água potável, panelões e louças para um batalhão.Depois seguimos pelos campos colhidos de soja, e demos uma volta ao redor dos 9 alqueires, avaliando locais para um possível acampamento,outro para um fogo de conselho, outro para uma atividade em beira de morro, aproveitando a descida, Andando ia escutando o resmungo do menininho que ia junto , uns 5 anos, que só sossegava um pouco quando pegávamos uma descida e ele achava que estava chegando... e não indo !
Passamos pelo "caminho do boi" que agora está cheio de árvores tombadas pelo meio , que me fizeram ter que erguer o saião reto pra poder trocar o passo sobre os troncos.Eu ia na frente, levando o povo...perguntando pras mulheres à toda hora:se estava tudo bem...
Depois desse caminho fechado saímos de novo, à outra área aberta, e fomos pela beirada entre o mato e o limpo, tomando um sol, até que chegamos ao bosquinho onde ficam as churrasqueiras, pia, mesas e cadeiras....Foi bem esse local que eles escolheram pra montar as quatro barracas da chefia. Por lona alta e construir um cozinhão. Vão usar as taquaras que vimos lá encima ,onde o menininho tinha perguntado se tinha Panda ! srsrs
Detalhes acertados, data confirmada, feriado de quinta , sexta e sábado .
Pronto...já podíamos subir pra casa nova ,tomar um café com leite e bolo branco.
Um papo agradável, troca de experiências de vida, e uma despedida com um até quinta .
O resto da manhã pra todos , sem distinção para retirarmos os pico picos das roupas ..
Ái...minha meia nova de florzinhas
, minha meia calça bordô
e minha blusa de lã de tranças!....

domingo, 4 de junho de 2017

DISTANTE

Distante...

As ondas chegam aos meus pés.
A mim, cabe saber nesse instante se
quero ou não me umedecer.
Se vale a pena, sentir o frio no corpo que o sol aqueceu até agora.
Quem sabe, sinta prazer em estar molhada!
Ficar aqui parada esperando que o nível suba,  inerte,sentindo o molhar-se aos poucos,também faz parte dos mesmos desejos possíveis.
Recuar sem ao menos sentir a temperatura duma gota, também me é possível...

Mas... nunca saberei a temperatura da água nesse único momento da minha vida, vindo de tão longe!

Passando do ponto !

Sou mais de falar de mim do que da vida alheia...
Quem gosta de me "ouvir" pelas palavras escritas ,perde um tempinho comigo ,saca que está cheio de erro de digitação, cheio de erro de ortografia,
as vezes se diverte ,
outras vezes não...
mas alguma coisa sempre fica !
No trajeto de carro, sozinha, entre curvas e retas meus pensamentos as vezes trazem do passado uma lembrança ...como foi nessa semana.
Parei o carro , peguei um papel e rascunhei:
Lembrei daquele senhor do hospital, com quem conversei por 3 dias alternados e no ultimo lhe falei :
- Seu José... seu sobrenome é com I ou com Y ?
Ele respondeu : com I ...
- Como pode, né seu José ... o senhor tem vários xarás...e eu não lhe encontrei no facebook..( falei isso porque estava querendo perguntar-lhe sobre aquela palestra a qual fiquei indignada,,,lá no Erasto, só isso !)
Então o seu José, o danado do seu José, um pitoquinho de homem, me disse na lata:
- "Ainda bem que a senhora não me encontrou" ...
Nossa ...o meu susto foi grande! Maior que a minha curiosidade pra perguntar pra ele : por que...
Fechei a boca , por alguns instantes e fiquei esperando o meu astral melhorar...
Nem sei se alguém mais ouviu...tomara que não !
Só sei que dessa lembrança , associei outra e também rascunhei .
No supermercado do Bairro Alto aquele que eu já era conhecida por todos e do gerente.(O mesmo gerente que fiz o coitado passar a mão na minha cabeça pra ver como meu cabelo parecia "pena de passarinho ", depois do Zé ter cortado com a maquina dois...rsrs)
Eu era tão íntima do mercado que até pegava carona no caminhão de entregas, quando o Gui não podia me ajudar com as compras na bicicleta. Ele ainda estudava no Colégio Medianeira...
O dito sócio -gerente , "meu amigo", marido de uma moça evangélica , sempre de saia jeans, abaixo dos joelhos, cabelão,bem quietinha... que também trabalhava por ali... era e deve ser ainda," bem reservado" . Com um risinho muito discreto e saída rápida "pela esquerda" quando eu via e falava de alguma coisa errada do mercado !.
Só sei que um dia , enchi tanto o saco dele pedindo pra me arranjar um tambor de lixo da Nestlé , azul, bem legal ,pra eu por na churrasqueira, que ele resolver me dar um deles.
( ele já tinha me dado uma daquelas vassouras gigantes de varrer corredor ! rsrs)
Tá...um dia chegou a hora dele me dar o tal tambor e eu na euforia , nem acreditei...
Virei pra ele e no meio do povo, as mocinhas dos caixas, a mulher educada,soltei a frase...
.
- Ai Abel ! Tô com vontade de te dar um beijo !
- E ele , bem mais sem graça do que nos outros dias comuns rapidinho me falou:
"Aqui não! Aqui não ... Cassiana !
Somei isso à historia do seu José do hospital e to pensando agora...
As vezes eu passo do ponto ! kkk

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Caranguejo

É , gente, o dia ainda não clareou, a chuva está fazendo barulho lá fora, o frio passa por baixo da porta, mas as idéias me vieram e me obrigaram à levantar.
Levantar pra escrever, como se fosse uma visita que estava chegando à porta e eu tinha que atender ...
Não tem como...dormir eu não vou mais!
Tudo isso pra contar pra quem quiser ler, como foi o meu dia ontem na minha cirurgia.
Enquanto também estava escuro , nos levantamos(eu em jejum ),seguimos para o hospital , retirar um tal "caranguejo" que estava querendo se apossar do meu rosto.
Desde que acordei , já fui falando pro Veiga, quero ir por tal caminho, porque sempre que saímos do sitio discordamos da rota a tomar. Ele sempre quer ir pelo caminho menos usado mas mais longo e eu pelo centro .Desta vez ele cedeu fácil e fomos pela minha escolha. Num instantinho estávamos lá ...uma meia hora só.
Chegamos , nos apresentamos ...eu e meu companheiro das horas boas e más.Ele achando que eu estava nervosa e eu dizendo que estava mesmo...curiosa. Como não rezo , e não tenho afinidades religiosas , deixei essa parte para a grande maioria de amigos e parentes que rezam e torcem por mim...quem se incluir nessa parte , me desculpe , mas saiba que agradeço muito ,não "por vocês" e sim... agradeço diretamente à todos vocês por me darem o privilegio de me incluírem em suas orações e momentos de fé.De certa forma invejo essa atitude... mas não posso fazer diferente, sou assim..
Mas voltando ao assunto, logo começou a espera. Encontrei no corredor as mesmas pessoas que havia visto anteontem na consulta com o anestesista.Só que agora cada um estava com seu par. Par de ajuda física ou emocional.
Esperamos ... e quando fui chamada, pra variar...estava fazendo xixi.
Subi as escadarias num galope , o coração chegou no tum tum tum...
Novamente espera.
De todos os chamados , fui a ultima a entrar para retirar as roupas e colocá-las numa sacola de papel e vestir aquele camisolão, touca e pantufas.Aquele mesmo camisolão que as pessoas não sabem como fechá-lo e deixam a bunda à mostra quando se levantam.
Vou ensinar pra vocês: Primeiro veste-se com o aberto para trás, depois amarra por dentro no lado da cintura, e por fim ,transpassa, e dá outro amarrado no outro lado da cintura... cruzando... senão fica aberto e daí ...já viu ! Ou seja...Já mostrou ! rsrs
Me despedi do Veiga com um cumprimento de surfista ... e entrei.
Nessa sala de recuperação e espera , recebei um cobertor,recém higienizado ,empacotado, quentinho , saído da secadora !" Para nos confortar no aguardo".
Esse ERASTO é o cara !
Nós ali sentados éramos todos iguais , ( embora com problemas distintos em questão de gravidade!)
Todos nós atendidos pelo SUS , como se a sigla quisesse dizer :

 S omos U m S ó .

Sem sapatos, nem meias
sem roupas de marca
sem bolsos e sem dinheiro
sem amuletos
sem dentes postiços
sem maquiagens
sem perucas ou lenços.
sem nada.
Só o corpo a procura da cura.
Foram sendo chamados todos os meus colegas um a um, O senhor do meu lado, com um grande problema na orelha esquerda, carcomida , me fez pensar como ia ser resolvido aquele problema num local que é como a nossa canela sem carninha...
A moça do lábio leporino que estava ali para retirar um cateter do rim mas que teria que voltar retirar dois tumores novos.
A senhora carequinha com as unhas negras pela quimioterapia e que embora tenha feito várias sessões , perdido todo o cabelo ainda estava ali para tratar a mama... e a sua maior preocupação não era com ela... era com o marido e o filho que estava la fora a esperá-la..
E o senhor grande, motorista da prefeitura e vendedor de frutas no inverno e sorvete no verão , cheio de lesões de pele pra tirar...
Enfim, com o meu jeito consegui transformar aquele momento de espera com umas conversas divertidas e e entre elas o bendito camisolão...Cada vez que um levantava ficava a pergunta ... será que vamos ver o bum bum quando ele se levantar?
E era o maior riso, cada vez que o banheiro era usado ou um era chamado pra cirurgia...
.
Entraram todos e eu fiquei por ultimo ... questão de gravidade.
Quando enfim a enfermeira se apresentou e o medico chegou em mim para ver a lesão , teve dificuldade em encontrar, lhe disse que embora sem sinais, devido a retirada da marca pela biopsia, o bichinho estava ali... por alguns segundos cheguei a pensar que ele ia me dispensar...Mas que nada... o procedimento seria feito.
Enquanto esperava , uma certa senhora, que havia chegado em cadeiras de rodas, com erisipela nas pernas inchadas e curativo no rosto, a mesma que havia sido transferida da cadeira para a maca por cinco enfermeiras não parava de incomodar. Falava alto e por estar sem dentes era difícil o entendimento...Impaciente falava alto ,atrapalhando o desempenho dos trabalhos com os pacientes em recuperação... verificação de soro, troca de roupas sujas de sangue,e condução de macas.O serviço era interrompido por suas atitudes.Queria ser atendida logo ! Enfim veio o médico e lhe explicou que a sua cirurgia havia sido transferida devido a um contratempo deixando a UTI sem vaga. Vi o quanto é importante e mais fácil se atender pessoas doentes com pouco peso, isso com relação à família ou hospital...
Lá vieram três enfermeiros fortes transportar de novo dona Joaninha para a cadeira de rodas de novo e a levaram...
Pronto ... depois de tudo isso me chamaram.
Subi na mesa de cirurgia, desvesti as cavas do camisolão ,me conectaram pelo dedo da mão e me puseram uma placa gelada na perna .Me puseram um sobre lençol, o cobertor por cima.
Envolveram minha cabeça com tecido quentinho, passaram álcool delicadamente um minha face, me orientaram para não abrir os olhos.
Começou o procedimento.
Dona Cassiana, uma agulhadinha doída... tudo bem?
Uma não ...foram 5... bem doloridas na verdade, mas a do osso do nariz...é braba!
Pronto.. anestesiada.. e eu ao invés de relaxar , me espremia toda até que lembrava de relaxar...Foram cortando e contando o que faziam...oque me deixava bem ciente de tudo.
Dois médicos e uma auxiliar , chamada Maria que confessou que havia contaminado a unica pinça necessária ali...Iam cortando e cauterizando e enxugando o sangue,num entrosamento bem bom...
Conversando sobre família, me perguntando a idade, falando que eu iria ficar igual a Tonia Carrero depois da sutura com pontos de plástica... e eu com a boca feito boca siri, bem fechadinha disse que estava bem, desde que eu não ficasse parecida com Dedé Santana ...srsr
E que a "Maria Pinça"se comportasse.
Perguntei qual era o tamanho do bicho retirado e ele me respondeu que era do tamanho duma larva de fruta , feito uma lagarta..e que por muito pouco não chegou ao músculo do nariz , oque que daria problemas para movimentar o nariz...
E assim foram devagarinho fazendo o bordado...
Agora depois do primeiro curativo, vi hoje o quanto os pontos estão pertinho do olho...ufa !
Quem diria que aquela coisinha branca que cutuquei, achando que era um cravo, ou um sebinho, depois de ter cutucado, ia virar um carcinoma basocelular nodular..dos mais simples mas que com certeza ira me dar muito incomodo mais tarde..

sábado, 27 de maio de 2017

reviravolta

Tudo o que fiz desde que acordei cedinho , nessa manhã de muita neblina , que mais parecia que os vidros das janelas tinham sido pintadas de branco , não haviam dado muito certo!
O caminho pelas estradas de barro me levaram ao laboratório para exames, que não puderam ser feitos hoje, por motivos técnicos...
Sobrou meu xixi numa cápsula, agora, descartado...tadinho!
Então como era cedo, entrei num supermercado ao lado do laboratório...Meio perdida sem querer voltar pra casa de imediato fui procurando entre as prateleiras algo que me chamasse atenção .
Logo notei que ali parecia um misto de venda de todas as coisas, desde sapatos, botas, artigos pra costura, parafusos, bolachões de mel,(chamados de Nega maluca), panelas , bacias e funis de alumínio, estátuas de nossa senhora "de muitos" e até de são Jorge , pra poucos..
Mas nada disso preenchia o meu desejo de dar um up"zinho " naquele momento !
Já ia saindo meio borocoxô , quando vi alguém chegando com várias caixas de plásticos nos ombros , abastecendo a sessão de verduras.O homem ainda de costas pra mim, descarregava , alfaces enormes, mostardas verdézimas ,raditi e por fim temperos..
Quando olhei pro seu rosto, quase não acreditei !
Era aquele cara... o mesmo que um dia me deu carona na cabine do seu caminhão, enquanto fretava lugares na carroceira em bancos laterais, para moradores do campo que haviam passado o dia na cidade, entre eles , eu...
Os tempos haviam passado, o caminhão abandonado e o mesmo cara passava por uma fase difícil de depressão que o impedia de sair da cama. Uma fase que nem mesmo a presença infantil da sua neta o estimulava...a evitando.
Só ia , não obrigado ,mas, a contra gosto, levar seu pai, com dificuldades locomotoras ao postinho e eu o encontrava lá de vez em quando .
Mas hoje ...não !
Era aquele homem forte e disposto,parecendo outro,
Contei-lhe que ao encontrá-loe saber das boas notícias, fiquei muito feliz! E que ali naquele instante tinha recebido uma das melhores noticias dos últimos dias!
Pronto... eu já tinha encontrado naquele mercado. alguma coisa que me desse prazer
Vi a alegria dum homem que venceu a depressão com as mangas arregaçadas lidando na terra !
Vivi a alegria dele !

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Bicho danado

Cassiana Tabalipa
9 de maio às 21:43 ·
Que atire o primeiro chinelo, quem um dia não digitou um texto e
depois perdeu tudo no final, por bobeira... eu !
Então vamos lá, tudo de novo!
O conteúdo era mais ou menos assim: uma semana em Curitiba, sem carro,
cuidando , ou melhor, fazendo companhia à dois sobrinhos , enquanto os
pais estavam fora, e o marido no sítio com o carro.
Uma mescla de dias nublados, uma certa solidão enquanto estavam na
escola e eu sem minhas coisas pra inventar.
No desejo de levantar o astral , fui fazer as unhas das mãos, depois a
dos pés, com a sobra do tempo , como sempre faço sozinha.
Mal comecei, já encontrei no dedinho, uma verruga que nunca tinha
notado ! E vai , que vai, que cutuca com o alicate de cutícula e a
sangueira começou a espalhar!
Pronto...tinha acabado naquele momento minha solidão !
Logo entendi, que era um bicho de pé que veio comigo do sítio , me
fazer companhia e eu nem tinha notado !
Tentei por todos os ângulos retirar o danado , mas ele insistia em
esvair-se e não desgrudava do meu pé , feito , me perdoem...um
ambulante paraguaio.
A "falta de vista", habilidade e a barriga me impediam da tarefa, só
me restava ir ao postinho ! Pus minhas havaianas, e lá fomos , nós
dois, eu e o meu bicho do pé,agora , amigo do peito, por vários
quarteirões , mas passamos antes da chegada na sapataria dum amigo ,
pra retirar um enfeite do chinelo que me insistia em fazer uma bolha!
Pronto , disse ao amigo : chegamos !
Às atendentes da recepção expliquei que era de Campo Magro e que
estava em Curitiba por dias e que tinha um problema de saúde para ser
resolvido ! Havia até me animado , pois li no mural : Retiram-se unhas
encravadas !
Pra dizer a verdade fiquei desanimada logo em seguida quando a
enfermeira atendente com olhar de "nojo" falou pra mim, logo se
virando de costas : Isso eu não faço ! Ponto .
Insisti no pedido de atendimento, explicando que ,o bicho já havia me
vencido e se não era problema de saúde ,saúde do meu dedo, muito menos
seria caso de pedicure...
Ok...conseguimos fazer o cadastro... vencendo a má vontade !
Durante a espera do atendimento, passei uma mensagem para o meu
postinho ao qual sempre sou bem atendida e perguntei pras
meninas...Qual era o pré requisito pra uma enfermeira retirar um bicho
de pé.
Ela logo me respondeu: ser atendente no campo !
E vai que vai , a espera , nessas horas o sangue já havia coagulado e
o dedo já estava preto ...tampando toda a visão do coitado, nem eu o
via tampouco ele à mim!
Deu uma brecha , um consultório, vagou e nós entramos.A princípio
achei que conversava com uma médica , mas era a enfermeira chefe.
Expliquei toda a historia novamente e ela me disse por fim...(Tudo
oque a atendente poderia ter me dito ao invés de virar-se de
costas)...Que era um procedimento feito por médicos por causa da
receita medica que geraria em função de ter que tomar um anti
inflamatório.
Tudo se resolveria em "questão de hora":-----Ou eu teria que estar ali
às 6:00 horas da manhã do dia seguinte ou no ....24 horas ! Simples.
Lá se foi embora a Cassiana pela chuva fina ,pés molhados, blusa
encharcada e pelo caminho ainda foi socorrida por outra amiga , da
lavanderia , que secou suas roupas com ferro à vapor , enquanto
esperava nu , no banheiro..Pronto...tudo zerado, sqn...
Chuva parada, e era hora de continuar... mas tive uma ótima ideia...A
Cristina ...como não pensei nela antes ?
Bati na porta dela logo falando ... Eu e meu bicho de pé , viemos te visitar !
Os olhos dela brilharam , não sei até hoje se foi pela minha visita ou
pelo bicho de pé, pois como tem gente de todo o tipo, tem uns que
adoram a coceira que o bicho dá , tem outros que adoram retirá-los...
sei lá...isso porém era oque menos importava...
E vamos lá...Entrei, ela logo pôs água pra esquentar, mergulhou meus
pés, pôs uma luva cirúrgica, seus óculos , perguntou se eu estava
confortável,se não era difícil eu ficar de perna erguida, ela até se
ofereceu pra sentar-se no chão...Tudo beleza...
Mas começou o tormento !
Ao invés dela ir cutucando ao redor ,enfiou a agulha ( passada no
álcool), logo no olho do bicho!
Na verdade , naquela hora eu nem sei se era no olho ou no coração do
coitado ,porque eu dava um pulo a cada cutucada , feito um choque !
rsrs
E o sangue escorria...tudo aquilo que já tinha acontecido , se
repetia...sangueira de novo !
Desistimos...pra minha alegria.
Me colocou uma pomada anestésica, gaze, e pra completar me deu uns
Isobufrenos ! Sem antes me perguntar se eu não era alérgica ! Me
emprestou sua sombrinha pra chuva que tinha voltado "e eu não devolvi
a sombrinha até hoje"...
Quando voltei pro sitio..depois de mais de uma semana, não pude
acreditar no acontecido ! O bicho coçava, coçava...
Tinha ressuscitado..
Tive que ir no postinho, pra tal da enfermeira do campo... tirar !!