E ele está internado, sem receber visitas, por ordem médica. E eu que um dia cheguei a pensar que fosse cuidar dele na velhice, que me preocupava com seu excesso de paieiros, chegando a ser chata... seu excesso de "Xaxixo", seu excesso de coxinhas e refrigerantes no bar, seu gosto estranho por comida com muita gordura, achando que a minha não tinha gosto...
Eu , que sabia e mais ninguém que ele já havia tido um avc.
Que insisti no feitio da dentadura, abandonada logo nos primeiros dias...
Que escutei suas histórias tristes da infância...
Que me indignei muito com elas...muito serias...
Que tentei saber da clínica psiquiátrica como ele está , sem receber informações...por não ser parente , nem ter credencial...
Eu mesma...hoje me indignei mais um pouco...ao encontrar sua genitora na estrada e a vi, meio que se escondendo entre golas , com o pescoço encolhido , para que eu não a reconhecesse ao passar por ela e assim não pudesse cobrar, entre muitas coisas... por que não fez o acompanhamento do uso ou " não uso " dos seus remédios fortes, que a sua falta o fizeram ...surtar.
Função de mãe é eterna!
terça-feira, 29 de agosto de 2017
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
ida sem volta
Tem coisa que a gente se espanta, por exemplo hoje : um pedido de uma amiga pra eu escrever algo na minha página.
Ah ! Se fosse assim fácil , pra mim. Só escrevo mesmo, quando a coisa vem.
Estou há dias tentando escrever um fato que aconteceu comigo, que me fez entender que quando se quer ajudar alguém.... não se deve deixar pra depois.
Eu, dias atrás, ponho em dia uma louçarada, vi no fundo da cuba entre os pires, garfos e facas
Uma minúscula joaninha.Daquelas que toda criança ama, que os adultos também continuam gostando...das vermelhinhas...
Lavando a louça e ela se esquivando dos jatos de água, da espuma ...Abri a torneira e fechei muitas vezes e ela ali...lutando pela sua vida, com o perigo do ralo ao seu lado. Confesso que pensei em tira - lá dali muitas vezes...mas fui protelando.Limpei a louça, embalei os figos, demorando muito e ela ainda ali. Pus a sopa no fogo,depois de lidar com a carne e os legumes e fui deixando pra retira- la dali por último...
Mas quando decidi, me preparar pra pegá- la com cuidado pra não machucar suas asinhas abertas...me distrai e dei-lhe um jato tão forte de água, que a fiz sumir ralo abaixo!
Uma bobagem de história... não é ?
Uma bobagem de joaninha...
Mas aprendi com ela, se for pra ajudar alguém...seja rápido...não protele, não espere...as vezes pode ser tarde demais.
Ah ! Se fosse assim fácil , pra mim. Só escrevo mesmo, quando a coisa vem.
Estou há dias tentando escrever um fato que aconteceu comigo, que me fez entender que quando se quer ajudar alguém.... não se deve deixar pra depois.
Eu, dias atrás, ponho em dia uma louçarada, vi no fundo da cuba entre os pires, garfos e facas
Uma minúscula joaninha.Daquelas que toda criança ama, que os adultos também continuam gostando...das vermelhinhas...
Lavando a louça e ela se esquivando dos jatos de água, da espuma ...Abri a torneira e fechei muitas vezes e ela ali...lutando pela sua vida, com o perigo do ralo ao seu lado. Confesso que pensei em tira - lá dali muitas vezes...mas fui protelando.Limpei a louça, embalei os figos, demorando muito e ela ainda ali. Pus a sopa no fogo,depois de lidar com a carne e os legumes e fui deixando pra retira- la dali por último...
Mas quando decidi, me preparar pra pegá- la com cuidado pra não machucar suas asinhas abertas...me distrai e dei-lhe um jato tão forte de água, que a fiz sumir ralo abaixo!
Uma bobagem de história... não é ?
Uma bobagem de joaninha...
Mas aprendi com ela, se for pra ajudar alguém...seja rápido...não protele, não espere...as vezes pode ser tarde demais.
domingo, 9 de julho de 2017
seu Nhoca
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
Santa Cecília, Ana Luisa, Lago Azul, Primeiro de maio, Rio Madeiras, Skip, Santa Mônica, Comandante Teixeira de Freitas, Avante e Yura. Foram esses nomes dados à algumas embarcações que o senhor Jaime Mendes, meu querido Seu Nhoca colocou em suas obras.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Pequenas reproduções feitas em madeira" Caxeta", com muita riqueza de detalhes reproduzindo as mais variadas embarcações que ele como remador na Ilha do Mel, avistava no seu dia a dia.
Sua vida resume-se na difícil tarefa que começava na areia, logo que um navio era avistado por um vigia do alto do morro , fora da barra de Paranaguá ou era contatado pelo radio...A tarefa era levar o Prático que estivesse à serviço no momento... para que o navio chegasse ao cais só por suas mãos.Não havia naquela época o canal da Galheta por onde entram os navios hoje em dia...o trajeto era pelo lado esquerdo do Farol das Conchas...
Então estivesse frio ou chovendo, mar calmo ou arrepiado, de dia ou madrugada, os remadores arregaçavam as calças e descalços rolavam a canoa sobre rolos de madeiras e a empurravam até a água, repondo os rolos um em sequencia do outro... ( Eu criança, vi muitas vezes o Prático ser carregado pelos remadores nas suas costas , para que não se molhasse.)
Pulavam rápido na canoa,os remadores, o mestre que conduziria o barco e o prático .Passavam a arrebentação das ondas ,muitas vezes com dificuldade num sobe e desce de proa , e chegavam ao barco.Esse grande , de madeira , vermelho , muito seguro com lastro de pedras motor à diesel só não sei dizer se eram dois motores ou um...e assim chegavam ao navio.
Seu Nhoca , uma doçura de pessoa, que falava muito baixinho, era marido de Dona Madalena , cozinheira de mão cheia.Conta a lenda que havia matado o ex marido , e teria ido morar na Ilha , há muitos anos atrás.
.Éramos vizinhos , sempre que passávamos meses de final de ano e julho lá... podia ver , que ele logo que chegava em casa , ligava seu radinho de pilhas e andava silenciosamente pra lá e cá, na sua casa de popuca luz ,e sempre muita gente.Ele calado e ela muito falante, ele pequeno e magro, ela uma senhora risonha e gordinha , que tinha muita afeição por mim,que ia pra ilha desde os três anos de idade.
Ele uma hora tecia rede, outra com canivete na mão lidava com madeira, ganhei um banquinho dele ...isso eu não esqueço !
Pra mim é um mistério esse negócio de embarcações feitas por ele.. Nunca o vi trabalhando neles... só via na casa do meu pai em Antonina e depois em Paranaguá uma "coleção" deles...Isso me intrigava muito .
.Conhecia o pai que tinha e sabia de um lado dele, feio ... de prometer e não cumprir, e receava que ele não houvesse pago o preço justo por esses trabalhos...
Muitos anos depois de tudo isso , de Ilha do Mel, já adulta... o encontrei num supermercado em Paranaguá e fiquei muito feliz em ^com isso !.
Cada vez que ia ao mar, dava um jeitinho de visita-lo , levar umas frutas, conversar com ele, viúvo ,morando sozinho...
Seus olhinhos já estavam branqueados de cataratas..
Depois das nossas conversas ele me acompanhava a pé por quadras até a Marina Oceania , para que pudéssemos conversar ...mais um pouquinho...
E foi numa dessas conversas que infelizmente ele me confessou: - Meu pai realmente não havia acertado , pago, suas "compras " de replicas de barcos e navios !.
Tentei reparar esse feito, não sei se consegui ... os dois já faleceram...
Seu Nhoca nunca teve filhos...
A unica herança material ou financeira que herdei do meu pai foram esse barquinhos...
A unica herança que seu Nhoca deixou ... foram seus barquinhos !
E hoje , depois de muitos anos , estou restaurando essa historia e essa obra,
Impossível não me emocionar em ver alguns mastros quebrados,pedindo pra serem erguidos, proa de navio partida, certamente dum tombo,e outros muitos detalhes pra serem reparados...
Hoje com pinceis e cotonetes tirei a poeira grossa e banhei-os , nos dias seguintes cola e habilidade vão ter que estar ao meu lado...
Não tenho pressa.
Já estão na minha sala
sábado, 1 de julho de 2017
falei...
Tá bom...eu poderia sair da cama e não pensar mais no que aconteceu ontem.Eu poderia ficar calada mas não consigo .
Afinal era cinco da manhã quando o celular me acordou, um frio razoável e " me fui " à consulta marcada há vários meses.
Claro que comigo , muitas e muitas outras pessoas daqui ou de outras cidades fizeram o mesmo.Com problemas muito mais sérios de câncer, com problemas muito mais sérios que o meu .Passando frio e muitos com dor.
Não fui só eu ,quem aguardou , pacientemente das sete da manhã às 14:00 horas para fazer exames.Não fui só eu, quem no final da manhã fui contemplada por uma palestra de um médico a cerca dos benefícios que se pode ter , evitando o uso do álcool, evitando o consumo do cigarro e outras drogas e o uso em excesso de comidas.
Enquanto ele, o senhor doutor falava, o qual não sei seu nome pois perdi a apresentação enquanto fazia um raio x, notei que o mesmo se colocava "acima" de todas aquelas pessoas com problemas sérios de saúde.Embora a intenção dele fosse muito boa, discordo da forma como abordava cada assunto , sempre imperativo falando de tal forma que se excluía de todos os fatos ali citados como se ele fosse um extra terrestre : Vocês isso , vocês aquilo...em nenhum momento usando a primeira pessoa do plural.
Meu sangue não ferveu mas ...borbulhou !
Perguntei a mim, em silencio...por que esse senhor doutor, não se inclui na sua fala? Isso de certa forma daria um consolo aos que ali estavam tão frágeis por seus pecados cometidos resultando em doenças...Por que ele não falava no plural?
Então , quando ele abordou com mais palavras o termo alimentação, o "zoinhho" da Cassiana , abriu -se pra "zoião.
e passeou pela barriga do senhor doutor e encontrou um grande espaço!
Pronto...a água ferveu.
A palestra acabou e ele entrou no seu consultório ,pois nós o aguardávamos falar para sermos atendidos. Era ali que nós receberíamos o laudo do eletrocardiograma.
Espera , espera e entre as poucas pessoas da sala , ainda estava eu.
Cassiana Tabalipa , chamou a sua secretaria .
Entrei pedindo licença, sentei ...pedindo licença .
Nenhuma palavra dele.
Nenhum olhar...
Nem um bom dia, nem uma boa tarde !
Nem uma palavra se eu estava bem ...( embora tivesse ouvido de uma senhora um pouco antes.." é claro que todos que estamos aqui...não estamos bem !")
Calei.
Sentei .
E ele olhando o resultado do exame num milésimo de segundo num olhar à mim´,só falou
Afinal era cinco da manhã quando o celular me acordou, um frio razoável e " me fui " à consulta marcada há vários meses.
Claro que comigo , muitas e muitas outras pessoas daqui ou de outras cidades fizeram o mesmo.Com problemas muito mais sérios de câncer, com problemas muito mais sérios que o meu .Passando frio e muitos com dor.
Não fui só eu ,quem aguardou , pacientemente das sete da manhã às 14:00 horas para fazer exames.Não fui só eu, quem no final da manhã fui contemplada por uma palestra de um médico a cerca dos benefícios que se pode ter , evitando o uso do álcool, evitando o consumo do cigarro e outras drogas e o uso em excesso de comidas.
Enquanto ele, o senhor doutor falava, o qual não sei seu nome pois perdi a apresentação enquanto fazia um raio x, notei que o mesmo se colocava "acima" de todas aquelas pessoas com problemas sérios de saúde.Embora a intenção dele fosse muito boa, discordo da forma como abordava cada assunto , sempre imperativo falando de tal forma que se excluía de todos os fatos ali citados como se ele fosse um extra terrestre : Vocês isso , vocês aquilo...em nenhum momento usando a primeira pessoa do plural.
Meu sangue não ferveu mas ...borbulhou !
Perguntei a mim, em silencio...por que esse senhor doutor, não se inclui na sua fala? Isso de certa forma daria um consolo aos que ali estavam tão frágeis por seus pecados cometidos resultando em doenças...Por que ele não falava no plural?
Então , quando ele abordou com mais palavras o termo alimentação, o "zoinhho" da Cassiana , abriu -se pra "zoião.
e passeou pela barriga do senhor doutor e encontrou um grande espaço!
Pronto...a água ferveu.
A palestra acabou e ele entrou no seu consultório ,pois nós o aguardávamos falar para sermos atendidos. Era ali que nós receberíamos o laudo do eletrocardiograma.
Espera , espera e entre as poucas pessoas da sala , ainda estava eu.
Cassiana Tabalipa , chamou a sua secretaria .
Entrei pedindo licença, sentei ...pedindo licença .
Nenhuma palavra dele.
Nenhum olhar...
Nem um bom dia, nem uma boa tarde !
Nem uma palavra se eu estava bem ...( embora tivesse ouvido de uma senhora um pouco antes.." é claro que todos que estamos aqui...não estamos bem !")
Calei.
Sentei .
E ele olhando o resultado do exame num milésimo de segundo num olhar à mim´,só falou
A senhora tem que emagrecer !
Levei um susto !( lembrei num ímpeto a dureza de eliminar 5 quilos, nesses últimos meses...caramba... e se eu estivesse mais gordinha oque ouviria ?)
Sem querer a minha reação foi automática , pois me veio a mente depois disso , aquela sua barriga e aquela sua arrogância ...
Uma unica palavra saiu da minha boca depois daquela sua unica frase:
Sem querer a minha reação foi automática , pois me veio a mente depois disso , aquela sua barriga e aquela sua arrogância ...
Uma unica palavra saiu da minha boca depois daquela sua unica frase:
------- NÓS ------.
e ele,( acho que sem ter me entendido) repetiu :
A senhora tem que emagrecer !
e eu calma e rapidamente disse:
------------NÓS------
Com os olhos azuis bem abertos , me entregou o exame e me disse: esta tudo certo !
Fui.
metida...
Na saída duma loja dois amigos se encontram...um subindo na bicicleta e o outro dizendo...ainda bem que vc veio com a nova, deixou a veia em casa...e eu bem metida falei ...vcs não estão falando de mulher né
pessoas
As pessoas hoje em dia , morando em cidades grandes,muitas vezes são engolidas por esse transito maluco , obedecendo horários, tentando cumprir metas cada vez maiores, pressionadas de todas as mais diversas formas , talvez não entendam oque é viver ... viver... no campo.
Pra mim há diferença entre viver e morar...
Viver é ter vida! E não ter que dizer... infelizmente.:
Graças à Deus que acabou mais um dia...
Graças à Deus que acabou mais um dia...
Enquanto muitos procuram saídas, canais,caminhos europeus de caminhada e sofrimento para se encontrarem , outros sobem montanhas nos finais de semana para sentir o verde ou mesmo fogem pro mar pra ter paz , eu as vezes , na contramão, fugo pra cidade...
Vou a procura de gente
Tem dias que necessito falar com pessoas que não tenham assuntos viciados,quem eu nunca tenha visto, preciso ver pessoas novas, pois não enxergo daqui...uma casa ou um carro qualquer!
. Tenho necessidade do novo ...
Precisava ir até a Santa Casa e fui de busão
Depois de caminhar pelas praças Tiradentes, Carlos Gomes , cheguei à Rui Barbosa...
( Ah... se Joaquim José das Silva Xavier ,( nosso amigo Tiradentes), Nhô Tonico ,( como assinava Antônio Carlos Gomes em suas dedicatórias) ou ainda o diplomata baiano Rui Caetano Barbosa de Oliveira soubessem o tanto de "moradores" que se acomodam em suas calçadas e jardins... enrolados em cobertores em pleno meio dia,com certeza se assustariam como eu !)
Mas chegando enfim a passos lentos criei coragem e atravessei bem pelo meião " A Rui Barbosa" pensando: Meio dia , é o horário mais povoado e não vou ter problemas...
O dia estava lindo , bem claro e oque vi, pelos bancos , foram amigos em duplas, senhoras simples com seus senhores e amigas.
Alguns panfletistas e pra variar muitos dormidores de rua, agora usando como estrado : pallets , edredons e cobertores...uma pena...As vezes quando falo de Curitiba... tenho vergonha disso !
Alguns panfletistas e pra variar muitos dormidores de rua, agora usando como estrado : pallets , edredons e cobertores...uma pena...As vezes quando falo de Curitiba... tenho vergonha disso !
Entrei na Santa Casa, peguei minha senha e sentei ao lado duma senhora alta , pele morena clara, gordinha e como me contou , 80 anos.
Começamos conversar e num olhar despistado , tentando não ser indiscreta, notei sua mão enorme e logo pensei ser elefantíase...já lembrei do danado do mosquito aedes e seus amigos transmissores, "feito aquela turminha braba da antiga... Bardahl.."
Começamos conversar e num olhar despistado , tentando não ser indiscreta, notei sua mão enorme e logo pensei ser elefantíase...já lembrei do danado do mosquito aedes e seus amigos transmissores, "feito aquela turminha braba da antiga... Bardahl.."
Conversávamos mais , quando me dizia que estava ali , não para ser atendida , mas sim para não ficar na rua esperando seu neto , ali se sentia segura,depois das compras,tinha banheiro limpo e descansava um pouco... bem espertinha !
Mais um pouco de conversa ,agora sobre pele bonita e ela sem rugas me dizia que nunca usou nenhum produto no rosto ...
a danadinha sem rugas !
a danadinha sem rugas !
Meu olhar, sem rédeas, passeou pelo seu braço, sendo sustentado por uma tipoia, pois estava enorme..( melhor eu dizer que " estava" do que usar as palavras " era enorme" atribuindo assim...uma salvação possível para o problema ! )
Seu telefone tocou, na verdade infelizmente não tivemos muito tempo pra nossa conversa, fomos chamadas ao mesmo tempo , eu no atendimento e ela no celular.
Atendeu seu pequeno e antigo celular com a mão doente, explicando ser causado por um linfoma e que começaria fazer drenagens linfáticas com uma medica alemã para tentar novo tratamento, auxiliada financeiramente por um grupo no face
Vê-la atender aquele aparelho, conseguindo digitar com a sua pequena unha em meio a aquele enormes dedos, com formatos de troncos de árvores,um dedo pra cada lado dividindo espaço, sem vergonha do seu estado nem um sentimento parecido...normal... numa simplicidade anormal, numa postura ereta, pessoa agradável de se conversar, doce ao falar com o neto, e cheia de esperança me fez lembrar da importância exagerada que damos aos corpos , as unhas em especial hoje em dia... o exagero de valor que damos à beleza, a moda o quanto muitas vezes reclamamos de coisas sem valor ...e penso :
...Convivendo com diferenças e refletindo ...podemos crescer
um pouquinho a cada dia
um pouquinho a cada dia
sábado, 10 de junho de 2017
venham...
Mãe...vão uns escoteiros acampar aí, tudo bem?
E eu aguardei o primeiro contato deles, até que ligaram dizendo se poderiam chegar hoje as 9:30, pra conversarmos primeiro... Pra quem recebe cicloturistas do mundo ... oque é escoteiros de Curitiba ! rsrs
Hoje chegaram bem na horinha que eu estava com os braços cheios de roupas úmidas pra por no varal...Havia me agasalhado muito , meia calça de lã bordô mais uma meinha nova de florzinhas rosas , botinas , saião grosso de lã, e por fim um blusão bonito de tranças frontais.
Chegaram os cinco...
Fomos fazer uma vistoria da área .Começamos pela casinha, onde pus a disposição , o fogão à lenha, banho quente, água potável, panelões e louças para um batalhão.Depois seguimos pelos campos colhidos de soja, e demos uma volta ao redor dos 9 alqueires, avaliando locais para um possível acampamento,outro para um fogo de conselho, outro para uma atividade em beira de morro, aproveitando a descida, Andando ia escutando o resmungo do menininho que ia junto , uns 5 anos, que só sossegava um pouco quando pegávamos uma descida e ele achava que estava chegando... e não indo !
Passamos pelo "caminho do boi" que agora está cheio de árvores tombadas pelo meio , que me fizeram ter que erguer o saião reto pra poder trocar o passo sobre os troncos.Eu ia na frente, levando o povo...perguntando pras mulheres à toda hora:se estava tudo bem...
Depois desse caminho fechado saímos de novo, à outra área aberta, e fomos pela beirada entre o mato e o limpo, tomando um sol, até que chegamos ao bosquinho onde ficam as churrasqueiras, pia, mesas e cadeiras....Foi bem esse local que eles escolheram pra montar as quatro barracas da chefia. Por lona alta e construir um cozinhão. Vão usar as taquaras que vimos lá encima ,onde o menininho tinha perguntado se tinha Panda ! srsrs
Detalhes acertados, data confirmada, feriado de quinta , sexta e sábado .
Pronto...já podíamos subir pra casa nova ,tomar um café com leite e bolo branco.
Um papo agradável, troca de experiências de vida, e uma despedida com um até quinta .
O resto da manhã pra todos , sem distinção para retirarmos os pico picos das roupas ..
E eu aguardei o primeiro contato deles, até que ligaram dizendo se poderiam chegar hoje as 9:30, pra conversarmos primeiro... Pra quem recebe cicloturistas do mundo ... oque é escoteiros de Curitiba ! rsrs
Hoje chegaram bem na horinha que eu estava com os braços cheios de roupas úmidas pra por no varal...Havia me agasalhado muito , meia calça de lã bordô mais uma meinha nova de florzinhas rosas , botinas , saião grosso de lã, e por fim um blusão bonito de tranças frontais.
Chegaram os cinco...
Fomos fazer uma vistoria da área .Começamos pela casinha, onde pus a disposição , o fogão à lenha, banho quente, água potável, panelões e louças para um batalhão.Depois seguimos pelos campos colhidos de soja, e demos uma volta ao redor dos 9 alqueires, avaliando locais para um possível acampamento,outro para um fogo de conselho, outro para uma atividade em beira de morro, aproveitando a descida, Andando ia escutando o resmungo do menininho que ia junto , uns 5 anos, que só sossegava um pouco quando pegávamos uma descida e ele achava que estava chegando... e não indo !
Passamos pelo "caminho do boi" que agora está cheio de árvores tombadas pelo meio , que me fizeram ter que erguer o saião reto pra poder trocar o passo sobre os troncos.Eu ia na frente, levando o povo...perguntando pras mulheres à toda hora:se estava tudo bem...
Depois desse caminho fechado saímos de novo, à outra área aberta, e fomos pela beirada entre o mato e o limpo, tomando um sol, até que chegamos ao bosquinho onde ficam as churrasqueiras, pia, mesas e cadeiras....Foi bem esse local que eles escolheram pra montar as quatro barracas da chefia. Por lona alta e construir um cozinhão. Vão usar as taquaras que vimos lá encima ,onde o menininho tinha perguntado se tinha Panda ! srsrs
Detalhes acertados, data confirmada, feriado de quinta , sexta e sábado .
Pronto...já podíamos subir pra casa nova ,tomar um café com leite e bolo branco.
Um papo agradável, troca de experiências de vida, e uma despedida com um até quinta .
O resto da manhã pra todos , sem distinção para retirarmos os pico picos das roupas ..
Ái...minha meia nova de florzinhas
, minha meia calça bordô
e minha blusa de lã de tranças!....
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