terça-feira, 19 de novembro de 2019

Se você estiver com hóspedes,não aspire a casa na frente deles, eles podem se sentir um lixo!

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Sustao

Se tivesse acontecido uma coisa muito boa , aposto, ou nos termos de antigamente, "garanto", que muita gente sentiria uma pitada de inveja!
Mas como a coisa não foi boa, foi inusitada , duvido que alguém quisesse passar por isso.
Hoje de manhã, toda combinada pra sair,  dei uma chegadinha na casa da Maria Vitória de três anos pra bater um papinho , como faço todo dia.
Bom dia, dormiu bem?
O... Vitoria , tive uma ideia...vou puxar você no seu tico tico!
E a cena foi assim: debaixo da cobertura do carro, onde a grama ficou mortinha por falta de sol, só terra batida, bem retinha, inventei de amarrar um fio de arame na motoquinha dela e puxa lá, indo de ré.
Ela ainda não sabe pedalar!
 Toda animada e rindo e eu de costas pro caminho que ia indo , me divertia também.
De repente do nada tropeçei de costas num tijolo que estava ali de idiota  , me desequilibrei toda desajeitada e cai encaixada inteirinha , com as pernas pra cima,dentro dum carrinho de mão deixado ali!
Quase me matei de susto e junto a  Vitória, que arregalou um olhão não entendendo nada!Tadinha!

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Coisas daqui...
Pra ser bem sincera , o título era um palavrão! Por que não é fácil ver no dia a dia tanta coisa acontecendo e pondo em xeque uma pessoa!
Enfim...
Primeiro depois que eles chegaram pra morar aqui, arranjou um emprego longe 15 km daqui.
Depois de ir e voltar a pé vários dias , meu filho me pediu : mae...pega dinheiro da minha conta e compra uma bicicleta pra esse cara!
Foi uns dias assim...mas o caminho não é moleza pra bike! Subidas e buracos  mil...
Trabalhando de pedreiro , sem servente muitos dias ia e voltava no pezão mesmo!
Até que surgiu uma luz, o cunhado pagou uma acerto com um carro.
Ufa! Pensei...mas a história nem começava !
Calma...
No dia em que estava trazendo pra casa , o carro novo, que de novo só tinha o tempo com ele....vinha o servente com a moto e ele no carro...o danado do servente do nada se acidentou...se emborrachou e... junto o prejuízo da moto!
Ele ainda teve que pagar pro servente ...os dias parado!
Naqueles mesmos dias , ainda caiu do andaime....e o carro chegou estragado!
Todo os dias assim... um tal de estraga uma peça e ele mesmo lida pra consertar....um dia a correia dentada, outro dia , volta a pé porque faltou gasolina, outro dia volta com a bike , que foi de reserva...falta freio e assim vai.
O patrão atrasou o dindin e o cara da moto veio busca -la...isso não o fez desistir!
Que nada , cada dia surge uma força nova e o bom humor nunca sai do lado dele!
Se fosse outro , já estaria chutando balde !
Então...o aniversário  de três anos da filha estava chegando, com muitos gastos decidiram desmarcar com os convidados e os salgados.
Mas pra desmarcar...que parto, o celular pifou e junto a agenda...até que conseguiram e ontem  comemoramos com um  churrasco pra poucos , mas com docinhos , bolo decorado, bexigas e alegria!
Sem contar é claro, que até pouco antes da festa, além da chuva impedindo a criançada de brincar nas balanças, o carro desmontado ocupava o espaço da mesa. Mas  ele de novo, desmontou a roda com mãos de graxa entre bolinhas de rolamentos e marteladas ,fez o carro andar e sair dali...
Foi uma tarde legal.
Ainda deu tempo dele negociar o carro consertado no dia , o outro dono veio buscar e trocaram entre eles os carros e os documentos.
Acordei hoje, com o barulho de conserto de novo!
Álcool  com manguerinha, gasolina ,um pouquinho no carburador, partida acionada depois de várias rateadas , fumaça branca  do escapamento  foi deixando um rastro pelo camonho...lá se foi ele pela estrada  pra mais um dia de trabalho!

sábado, 9 de novembro de 2019

Filhos

Como são diferentes os amores que sinto por cada um dos meus dois filhos...A intensidade é igual,ou seja... enorme... mas o que se passa dentro do meu peito se revela de duas formas diferentes...impossível de se explicar....
São muito diferentes , fisicamente,emocionalmente e outros ..."ente "...(coisas que a "gente" , mesmo sendo "parente " ...não sabe explicar !) rsrs — com Mariana Lago Marques e Jociane  Tesser...

Menino mocinho

Um menino ainda, só tem treze anos, umas  poucas penugens na face, quem o vê não imagina , logo pensa que tem mais idade. É muito alto!
O conheci dias atrás ajudando um amigo numa construção de madeira.
Logo gostei dele!
Ele ainda é um dos poucos rapazinhos que pedem as bençãos à sua mãe e à sua irmã , cada vez que se ausenta ou chega em casa!
Quietinho mas com respostas inteligentes às perguntas que faço.
Esse amigo o leva as vezes a seu pedido, depois que um dia, deitado na rede depois do colégio , falou à mãe:
Preciso trabalhar!
Foi dai...que fiquei sabendo , que seu pai ausente, distante, não lhe dá atenção , mesmo pela imposição da lei, e isso o deixa muito triste!
Não tem um celular , nem algo semelhante pra se distrair...
No colégio,  o pedagogo tentou aproximação mas só recebeu como respostas, o silêncio.Talzez ele tenha associado o profissional masculino à figura do pai ausente.
Mas não faz mal ...Giovane, esse e outros motivos que te entristecem podem juntos servir para te dar mais garra na vida!
Você já viu, que quando alguém dúvida da gente , achando que a gente é incapaz de alguma coisa, isso faz a gente ter mais garra pra conseguir?
E ontem , depois de combinarmos, ele veio pintar um escorregador e umas balanças aqui.
Se rebocou feito criança de jardim de infancia!
Mas estava muito feliz
Cantamos juntos e me ensinou uma letra que eu não conhecia...
Comeu canjica, aprendeu fazer pão de queijo e suco de abacaxi fervendo as cascas...
No final da tarde, enquanto mostrava a ele os pontos onde passar nas suas pernas, o removedor de tinta, ainda rimos muito das lambanças!
Depois de tudo limpo, nos despedindo , combinamos o retorno, dei - lhe um suco de uva pra levar e o meu livreto com um autógrafo incentivador pra vida.
Notei que ele parou e feito um passarinho que se banha na chuva com as asas aberta abriu seu longos braços e pediu- me um abraço!
Nos abraçamos...
Amei...

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Pai dodói...

A voz da tv baixinha,café na mesa, nós dois lembrando do velho Dirceuzinho.
- Eu gostava do teu pai, era um cara legal, conversava muito com ele, depois que ele me adicionou ao clã.
-Rimos...
( Sei que gostavam mesmo era de falar sobre o mar, barcos, marinha, viagens...)
(No começo do namoro o meu pai, não tinha muita simpatia por ele, acho que tinha ciúmes, por ter ido embora de casa aos 40 anos e o Zé entrou meio que no lugar dele!)

-Batíamos bons papos, pena que o nosso convívio foi pouco...
Deveríamos ter ido muito mais vezes para Antonina...

- Agora é tarde ...

Um silêncio ...e um ardido na garganta que sempre dá antes das lágrimas ,chegou.
Nele , no silêncio,  deu tempo de lembrar, de quando estávamos no hospital , ele de calçãozinho ralo, pernas finas, magrinho, com o diagnóstico de câncer de próstata entre outros, no salão esperando o atendimento sentado numa cadeira de rodas.
Nesse mesmo dia em que o atendimento foi demorado e não se realizou pois na sua vez depois da espera o médico simplesmente foi embora dizendo que não iria mas atender naquele dia.
As razões não deu...mas olhei bem em seus olhos antes da sua saída...

Foi nessa espera num salão grande que o vi conversando com uma senhora , como sempre fazia...

Falante trocando figurinhas de tratamentos e remédios...

Peguei -o no meio do papo na hora em que ele dizia..."pois eu, eu,  fiz "vários exames" ...lá em baixo..."

Entrei na conversa e perguntei: lá embaixo  pai, lá embaixo onde, em Paranaguá ou Antonina?

- Lá em baixo , no " fiofó"...fizeram exames no meu fiofó.

O meu riso e de todos ao redor foi grande!

Lembranças que ficam.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Marido

Um dedo espremido, uma ralada no joelho, dor e a gente ouvia , quando casar sara!  Quando casar passa!
Realmente na vida tudo passa , mas a gente tambem passa muita coisa nessa vida!
Vida a dois tem umas situacoes divertidas , depois que passam mas durante...
Acordei meio dormindo e logo cedo escutei uns resmungos !

Aconteceu alguma coisa com os meus olhos !

Nao estou enxergando direto , Estou enxergando tudo diferente do modo que via!

Sentei na cama , e logo dei um grito porque ele havia tirado os oculos nessa lida de nao enxergar bem e sentou encima deles,mas  depois , colocou-os de novo...

So dizia: Aconteceu alguma coisa estranha , minha visao esta embaralhada, atre parece que tem uma nevoa!

Nao fiz nada de diferente,

-voce nao cabeceou uma bola , nao recebeu nenhum encontrao ?

Sera que nao desviou a retina?

- Nao  , nao... ate nem corri meuit, estava meio cansado !-

- estou aqui e nem sei se estou de cabelo lavado com shampoo ou com condicionador...pois nao consegui ler as embalagens
 
- Olha , as ,inhas meias , nao sei se stao do avesso ou do direito...

( minha cabeca ja estava fervendo..)

Mas veja... enxergo melhor sem oculos do que com oculos !

( um tal de tira oculos , poe oculos  que agora entendia a frase  _ que so vendo! )

- De ontem pra hoje, como pude piorar tanto, A gente vai tendo problemas de visao ,mas nao e assim de um dia pra outro !

Ja na mesa de cafe , pergunto: Voce tem cewrtez que esses oculos sao seus?

- Sim... esta faltando a haste!

Ta vendo aquelas  frases ali? Nunca li sem oculos  agora leio ate as letras miudas...


-Vou marcar um oftalmo  pra voce... calma...

( ainda levei uma bronca, porque estava dando explicacoes pra secretaria...)

( como demorou a confirmacao da secretaria , la foi ele pra fora , sem antes, e claro...tentar

- desembacar as lentes
-por oculos , tirar oculos
-olhar pra cima
-pra baixo
olhar a claridade...
 ate o examinei !

Foi, meio estranho,mas foi feliz por poder dirigir ,embora de perto enxergasse muito mal.)

Consulta confirmada , liguei para o seu celular para passar o nome do medico e o endereco, horario e preco.

Pra minha surpresa ao inves de  um agradecimento pela ajuda e incomodo ouvi domenino

- Voce nao vai tirar  sarro de mim?

DESCOBRI A MINHA DOENCA

Ontem quando voltei do futebol, dormi no sofa e esqueci de tirar as lentes de contato, que sao para enxergar so de longe, colocando os oculos por cima,  ficava tudo estranho, tirando, nao enxergava de perto 

Estou om as lentes ate agora, nao tenho potinho pra guarda-las...

- Nao acredito VA AO
 edico assim mesmo, pe;a a ele um potinho e guarde sua lentes do futebol.

Fique bem longe de mim porque do contrario vou te encher de socos !




;o

que vergonha

A acordei la pelas nove  e fui ao supermercado sem ao menos tomar cafe.
Fui comprando , batendo papo com um , batendo papo com outro, falando que a banana estava muito madura, e era melhor tira-las das pencas e leva-las soltas,
elogiando preco da lixia, ouvindo que a acougueira havia caido com a moto e que estava toda ralada!
Elogiando o bacon que nem tinha gordura, tinha so carne!
...comprando...comprando...
Depois de pagar , deixei tudo ali mesmo ,pedi pra um menino cuidar e fui falar com o gerente.
Era o mesmo ,que naquele dia que o \Veiga cortou meu cabelo na maquina dois ,disse que meu cabelo parecia pena de passarinho....mas isso e outra historia! Fui oferecer pra ele nossas amoras frescas..pra vender ali.
Na volta , o menino com o carrinho cheio e eu pra ajudar passei a mao no outro e fomos descendo a rampa.
Enchi o bagageiro do carro!
Quando cheguei em casa...e fui abrindo as sacolas- Que vergonha!
Havia trazido com as minhas compras , as compras de alguem!
Era um tal de biscoito que nunca comi
treis pacotes de cafe , que  nao bebemos nem em treis meses..
Um pote de sorvete dos grandes ja derretendo  e provavelmente a carne pro almoco!
Pessegos, pessegos  e mais pessegos que concorriam com a nossa plantacao !
Liguei depressa pro gerente  e num instante ele chegou no portao! Depressa bem depressa antes que o outro cliente desse por falta da sua compra! 
coisas de Cassiana!

De veleiro pra veleiro

Sou mais uma das varias embarcacoes , que foram chegando na Marina.
No comeco eramos poucas e as distancias entre nos eram grandes...
Fui observando com o tempo , aqui desse lugar cativo, tudo acontecendo e mudando...
Umas chegando novas, em folha . cheirando tinta, outras levadas as cracas , necessitando cuidados.
Algumas chegando por terra outras chegando por mar.
Conservando os velhos nomes ou rebatizadas ao receberem novos donos.
Daqui onde estou sobre a minha carreta de encalhe, posso observar o movimentos dos seres e da natureza!
Sinto o gosto do sal, trazido pelas rajadas de vento, vejo o verde do mar, o nascer e o por do sol todo dia!
Observo ao longe as montanhas da serra do mar  por entre os galhos do mangue que brotam a minha frente
Vejo tudo oque acontece nesse rio Itibere!
E foi num dia desses , que me dei conta  que havia algo diferente por aqui...
Um zum zum zum, uma movimentacao, e descobri que  estao construindo um barco por aqui!
Um veleiro e e dos grandes!
Depois dos finais de semana , quando todos os donos de embarcacoes  debandam para a  capital, sobem a serra , como se diz, ouco um e outro barulho que me tine os ouvidos!
Em horas uma serra circular, outras um cheiro forte de resina, as vezes um martelar insistente!
Quisera poder sair daqui num dia desses, um dia de Marina vazia, num dia
daqueles de mare alta que tudo alaga, e bem de mansinho poder espiar!
Poderia  ser num daqueles dias de chuva forte que tudo lava com agua doce ou ainda numa noite de lua cheia  e brisa suave em que os estais se batem agitando os cabos  .
Iria conhecer esse barco novo e matar a minha curiosidade.
Se tudo isso nao for possivel, vou esperar com toda a minha paciencia o dia dele passar por aqui!
Sei que o verei sendo amparado pelos cabos do guincho,a for;a do trator e o cuidado dos marinheiros...
Como num trabalho de parto,aos poucos váo desliza-lo pela rampa, rolando as rodas da carreta e mergulha-lo nagua!
Vai ficar  a mostra so o seu meio casco,branquinho ,balancado e parando logo a segui  ate que num momento religioso o batizem  e ele parta para longe!

Brinde

As vezes da uma vontade de se desfazer de algum objeto ganho de alguem , so pra nao lembrar mais da pessoa!

Um vaso
Uma roupa ou no caso...
Uma coqueteleira de prata...

Ela e linda, muito antiga , cheia de bordaduras,em relevo  de rosas...

Mas, náo me traz boas lembrancas  e cada vez que preparo um drink, o gosto da bebida se tranforma um pouco...
Náo e o azinhavre que se transfere pro liquido...
O momento se modifica ao simples toque das maos e o brinde ja  fica sem graca!

A pessoa que me deu , tinha e posso dizer que tinha, pois ja se foi, uma pessima maneira de agir, com prepotencia, mesquinhez e arrogancia com as pessoas mais humildes com as quais conviviamos semanalmente...

Ate que uma vez , no dia de natal,liguei pra ela para desejar-lhe um feliz  dia !

Agradeci por tudo que havia aprendido com ela naquele ano .

Fui reprendida pelo meu filho mais novo que ouviu a nossa conversa, me dizendo:

-Mae ,como voce pode dizer isso? Que falsa!

Foi quando em resposta lhe expliquei:


Que realmente aquela pessoa  me havia ensinado muitas coisas,  me dera muitos exemplos ,e eu pude compreender o modo  de como náo se deve ser !

Foi

Tudo nao foi...que pena

Uma palavra nao dita

Um encontro nao tido

Um amor nao vivido

Uma saudade nao tida

Um olhar desviado

Um perfume esvaido

Um sonho nao realizado

Uma lagrima nao chorada

Uma viagem nao feita

Uma  chegada abortada

Um futuro...passado.


sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Amar

Amar... é querer escrever "te amo" em cada lugar que eu puder:

No açúcar que cai no chão

Na areia fina da praia

No bafinho do espelho

Na porta do banheiro público

Na lasca do tronco da árvore

Na tatuagem do braço

No molhado da chuva na janela

Na poeira do vidro do carro

No box do chuveiro

Na farofa do prato do almoço

Na espuma da cerveja

No pó de café do pote

Depois de todas essas tentativas, talvez você acredite em mim.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Tá bom...eu poderia sair da cama e não pensar mais  no que aconteceu ontem.Eu poderia ficar calada mas não consigo .
Afinal era  cinco da  manhã quando o celular me acordou, um frio razoável e " me fui " à consulta marcada há vários meses.
Claro que comigo , muitas e  muitas outras pessoas daqui  ou de outras cidades fizeram o mesmo.Com problemas muito mais sérios de câncer, com problemas muito mais sérios que o meu .Passando frio e muitos com dor.
Não fui só eu ,quem aguardou , pacientemente das sete da manhã às 14:00 horas para fazer exames.Não fui  só eu, quem no final da manhã fui contemplada por uma palestra de um médico  a cerca  dos benefícios  que se pode ter , evitando o uso do álcool, evitando o consumo do cigarro e outras drogas e o uso em excesso de comidas.
Enquanto ele, o senhor doutor falava, o qual não sei seu nome pois perdi a apresentação enquanto fazia um raio x, notei  que o mesmo se colocava "acima" de todas aquelas pessoas com problemas sérios de saúde.Embora a intenção dele fosse  muito boa, discordo da forma como abordava cada assunto , sempre imperativo  falando de tal forma que se excluía de todos os fatos ali citados como se ele fosse um extra terrestre : Vocês isso , vocês aquilo...em nenhum  momento usando  a primeira pessoa do plural.
  Meu sangue  não ferveu mas ...borbulhou !
Perguntei a mim, em silencio...por que esse senhor doutor, não se inclui na sua fala? Isso de certa forma daria um consolo aos que ali estavam  tão frágeis por seus pecados cometidos resultando em doenças...Por que ele não falava no plural?
Então , quando ele abordou com mais palavras  o termo alimentação, o "zoinhho" da Cassiana , abriu -se pra "zoião.
e passeou pela barriga do senhor doutor e encontrou um grande espaço!
Pronto...a água ferveu.
A palestra acabou e ele entrou no seu consultório ,pois nós o aguardávamos falar para sermos atendidos. Era ali que nós receberíamos o laudo do eletrocardiograma.
Espera , espera  e entre as poucas pessoas da sala , ainda estava eu.
Cassiana Tabalipa , chamou  a sua secretaria .
Entrei pedindo licença, sentei ...pedindo licença .
Nenhuma palavra dele.
Nenhum olhar...
Nem um bom dia, nem uma boa tarde !
Nem uma palavra se eu estava bem ...( embora tivesse ouvido de uma senhora um pouco antes.." é claro que todos que estamos aqui...não estamos bem !")
Calei.
Sentei .
E ele olhando o resultado do exame num milésimo de segundo num olhar à mim´,só  falou

A senhora tem que emagrecer !

Levei um susto !( lembrei num ímpeto a dureza de eliminar 5 quilos, nesses últimos meses...caramba... e se eu estivesse mais gordinha oque ouviria ?)
Sem querer a minha reação foi automática , pois me veio a mente depois disso , aquela sua barriga e aquela sua arrogância ...
Uma unica palavra saiu da minha boca depois daquela sua unica frase:

-------      NÓS ------.

e ele,( acho que sem ter me entendido) repetiu :

A senhora tem que emagrecer !

e eu calma e rapidamente disse:

------------NÓS------

Com os olhos azuis bem abertos , me entregou o exame e me disse:  esta tudo certo !

Fui.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

domingo, 4 de agosto de 2019

Cachaça

Rindo muito ainda debaixo das cobertas porque num frio de três graus num domingo cedo...não dá pra sair cantando...

A historinha que acabei de ouvir pelo Veiga é dum vizinho nosso,  que foi contada ontem num balcão de bar.

Foi esse meu amigo ao médico com sua esposa...

O médico perguntou pra ele: oque o Sr tem?
Ele respondeu: se eu soubesse o que tinha, não teria vindo aqui, falar com o senhor...eu sei o que eu sinto!

Daí , perguntou pra ele ...aquela perguntinha que ele já ouviu várias vezes...se ele bebia!

Ele respondeu: sou alcoólatra, bebo todos os dias.

Pos- lhe deitado na maca ,(que é cama de trás pra frente)...e o examinou...

 Batendo -lhe com as pontas dos dedos e verificando  o peito...

Nada encontrou de anormal...

- Então requisitou alguns exames.

A mulher por estar junto ...aproveitou pra ser examinada. Foram se os dois e tempos depois, voltaram...

Na abertura do resultado dos exames...o médico anunciou:

É....gordura no fígado, colesterol alto, triglicerídeos.... tudo alterado!

Ela olhou pra ele e disse: tá vendo, eu te falei...
então o médico falou....esses exames são da senhora!
Os do Sr estão tudo ok...

E ela olhando pra ele  indignada,  falou: doutor ....
 É o hálito etílico dele que está me fazendo mal!....

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Conversa alheia...um vício

Vamos falar de viagens...segunda feira viajei...fui como várias vezes já fui à lugares onde sempre encontro , não , pessoas gastando dinheiro, economizado  ou não.
FUI, não à um lugar onde as pessoas estão com suas melhores roupas, cheirando perfume importado.
Não à um lugar onde os assuntos são risos ...
Fui à um grande hospital , que como muitos ...também estava doente, talvez possa até dizer, em fase terminal. Mas para nossa sorte e a de muitos que virão ainda necessitar de sua ajuda, ele, o Evangélico se recuperou...Tomou muitas doses de remédios amargos, injeções doloridas e está recuperando o tempo perdido...Fui muito bem atendida e pude ver a dedicação dos professores ensinado seus alunos explicando meu caso de " torácica".
Nestas minhas observações , que prefiro ser observadora ao invés de simplesmente aguardar a vez com impaciencia...a gente cresce muito. Meia hora ao lado dum garotinho peralta correndo de lá pra cá, sem uma orelha, nos faz pensar muito!

Meia hora acompanhada duma senhora em cadeira de rodas , com a fala prejudicada , paralisia nas pernas e saber que todo esse resultado aconteceu com um simples tombo em casa....também nos faz refletir muito....e deixo aqui que cada um reflita sozinho depois dessa leitura, pois eu já refleti...

Parei um pouco e tirei desses dois fatos, oque poderia extrair de positivo.

Fui só entregar três exames que demorei meses pra ter pelo SUS e que consegui um deles, o mais caro por indicação de um local que fazem de graça mediante comprovante de aposentadoria ...consegui!
Não é caso cirúrgico, tenho só que voltar a nadar ou praticar algo regularmente...
Daí...na saída como sempre, eram três senhoras que iam a pé,  desde a Iguaçu até a Rui Barbosa...e eu atrás de propósito só escutando as conversas alheias...
Espero ser perdoada por esse pecado...mas essa infração de trânsito me causa  muito gosto!

Elas iam comentando sobre os seus maridos...
E a fala era mais ou menos assim:
Você é casada ou viúva...
E a viúva respondia, sou viúva , estive com ele por 40 anos , agora estou com esse há 14...
E ele é bom pra você?
Ele é bom...me ajuda "em casa" , varre calçada, enxuga a louça...conversa comigo...
( Um demonstrar claro que mesmo numa pequena parceria fazia dela , uma mulher feliz...)
Já a outra injuriada, dizendo que o mesmo,  não sucedia - se com ela...casada agora com um "Paraíba" rsrs...de uma personalidade difícil, lhe fez dois elogios sarcásticos....

Ele é grosso...grosso ...com uma argola de laço! 

E como se isso não bastasse , completou: grosso ,grosso como palanque de porteira!

(E eu pra melhor ouvir, deixava que elas me ultrapassassem e depois as ultrapassava  sem ela notarem...)

Ah....nessa hora não pude me conter, tinha que tomar nota pra não esquecer, abri a bolsa andando e escrevi no envelope dos exames , nesse momento elas me ultrapassaram e analisei melhor as três....Estava um frio danado e uma estava de bermuda , camiseta regata e chinelo, a outra , legging, saião por cima e cabelão em rabo...a terceira, não lembro, demais pra mim.
E assim fomos...ela falando mal do marido e eu me esforçando pra ouvir...(até pensei: que feio! Vovó!)

Paramos juntas no sinaleiro da praça.

Se despediram e foram cada uma pra um lugar.

(Confesso que pensei que eram conhecidas....mas não, acho que também saíram do hospital. ..)

A do marido "grosso" atravessou comigo já batendo papo, me contou mais devagar a história dela , indignada de trabalhar pra ele a semana toda e nos finais de semana ficar sozinha pois o " veio" se "bandeia " pras casas das filhas , que não a tratam como " irmãs" da igreja e isso ela não suporta! Rsrs

Decidiram que cada uma delas...na sua casa!

Disse que agora... não vai mais comprar camisas pra ele, não vai mais dar dinheiro pra gasolina...

Tentei incentiva-la a cuidar de si quando estiver sozinha , pra não ficar sofrendo ...
E ela mais que depressa me disse....já estou pensando em fazer botox...

Um abraço ...e fomos uma pra cada lado.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

E eu que nunca tinha escutado esse termo ...me admirei !
Entrei no caixa eletrônico pertinho de casa, na única agência bancária por aqui e dei de cara com uma mãe.... Ela já foi uma mocinha que conheci no postinho e acompanhei sua primeira gravidez, levei até um dia, umas roupinhas de bebê, na casa dela..

Ontem ,  estava com seus pequenos ali...o menorzinho de pé descalço e ela o chamando de gordo , gordinho , gorducho!
Ele  se deitando no chão, rolava, corria com aqueles pezinhos roliços descalços.

- Menina ...rsrs e esse piázinho ,não da medo que ele pise em alguma coisa ?
-Que nada, tá acostumado, também, não pega nem gripe!
-E você chamando ele de gordo...
_(de novo... )Que nada, (rindo,) daqui a pouco vão me chamar no conselho tutelar por bullying..rsrs

Imagina então se souberem como a gente chama ele lá em casa,

   "cu de flecha"...

Ã?

( Não acreditei que existisse essa expressão, nem tampouco que uma mãe pudesse fazer isso com um  piázinho de dois anos...)

 (Fui ver ... não é que existe , mesmo?
 Alguém já foi chamado assim e provavelmente está sendo chamado por aí)
Arregalei o olho!
Aí...desconversei e pra testar , na hora de ir embora, chamei: Gordinho!
Ele virou -se pra mim e me deu um sorriso ! .
... Saí....mas não o chamei do outro jeito, nem mesmo pra testar...
 Verdade!

domingo, 14 de abril de 2019

Olhinho

Será que é melhor um ovo com  brinquedo ou sem brinquedo?

Chocolate branco ou preto?
Vou levar mais um pro irmãozinho dele..

Ah...tenho que levar um pra madri nha também, ela adora chocolate!

 Enfim... o papo era esse debaixo daquele "viaduto de guloseimas", das famosas LA.

Fora, nos corredores do shopping , o vovô pondo em prática sua resistência  subindo e descendo as escadas rolantes com o Lui, às gargalhadas e entre uma descida e subida fazia -se entender porque se chama "corredor"
pois ele corria atrás do neto pra lá e pra cá...

Ovos escolhidos e um pouquinho mais adiante, ainda dentro da loja eu, distraindo a Eva , pra Jô poder comprar outras coisas, até que a Eva,  me pede: Vovó, posso emprestar esse coelho grande e ficar com ele só um pouquinho? Sim...e foi nesse momento que me deparei com uma mamãe e sua filhinha...

Olhei a menininha e logo com sentimento de dó, reparei que um de seus olhinhos era bem maior que o outro...um de seus olhinhos estava fechado dando uma impressão de grande assimetria!
Perguntei- lhe então com muita naturalidade, querendo agradar aquela criança...Você também quer um coelhinho emprestado?

 Mas ela não me respondeu...

 Saímos dali para o corredor , sentamos num banquinho, abrindo alguns presentes, quando ao nosso lado uma senhora começou a se explicar que havia se desencontrado de de sua filha e neta.
Disse - lhe que, lá dentro eu havia falado com uma mamãe...que havia também uma menininha...talvez fossem elas...
Ela me dizia, a mãe está com uma roupa assim?
Ela está com um coque nos cabelos? A menininha está de cor de rosa?
E eu...só lembrava do olho da menininha...mas ...lógico que não falei nada...com ia dizer : a menininha tem um olho diferente do outro?
Nesse instante , gelei...
Vinha chegando a mãe e a filha...mais que depressa, baixei- me no ouvido da Eva e lhe disse:
Eva ...não fale nada do olhinho da amiguinha, não pergunte nada, ela tem um dodói...tá?

-E vieram ...junto os porquês....
Aqueles porquês , daquela fase ...lembram?

Eva... .entendeu?

 (Esse alerta tem  um passado...lá onde moram  , a pequena falou pra mãe, vamos lá na loja da moça que não tem as pernas?) E isso eu já sabia! Então fiquei atenta...

Chegaram as duas ao nosso lado.

-Que bom que se encontraram!

Viu, eram as duas mesmo!

E depois disso, depois das nossas breves apresentações, a mamãe e a vovó , começaram a se explicar....

Não se tratava de problema congenito,  também não se tratava de acidente...

Nada disso!

Aquele olhinho que causou o constrangimento era fruto de um incidente...

Foi  uma mordida de mosquito em alguém com muita alergia !

(Ufa...como dizia minha vó....dos males o menor!)

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Conversar com pessoas na rua, entrar em conversa alheia, ouvir histórias de ônibus, são coisas que eu curto...
Dia desses, aliás, noite dessas, daquelas  que fico pensando, com a cabeça a mil, porque tomei coca, comi chocolate ou tomei chá, fiquei  com a cuca fervilhando...
Levantei pra contar no papel, uns acontecidos.
O primeiro foi quando encontrei na calçada, frente à AABB, um tio e seus três sobrinhos. Estavam esperando a tia , que seria num certo ponto um pouquinho mais a frente, pondo o tio ,quase doido!
O sobrinho de uns doze anos amarrando o tênis , demoradamente, e o irmãozinho de uns três,  trepado no seu cangote e o outro ao lado.
O tio suado, descabelado, dizia: puta
Que o pariu! Se vc demorar mais vou te dar um cacete!
(Confesso que me vi no lugar dele e naquele mesmo jeito que falo!)
Eu muito metida, parei ao seu lado e disse baixinho, olhando nos olhos dele...você está vendo oque vc esta dizendo na frente dos dois?
E ele me respondeu:
Você não imagina oque esse pequeninho diz!
(Fiquei só imaginando com quem ele aprendia...)
E o tio continuou; veja como ele está todo suado, se solto ele no chão, fica correndo a calçada inteira  e ...eu trás  dele!
Fui embora sorrindo, subi no busão.
Atrás de mim , sentadas, duas senhoras e eu atenta ao papo das duas, elas tendo um flash nostálgico!
Lembrando de um certo menino, hoje rapaz, que morava na casa em que ela era diarista.
O dito menino havia ganho um irmãozinho que já estando com oito meses,a mãe achou por bem dispensar seus serviços , daria conta do serviço e que também pudesse confiar nos cuidados do menino ,de dez anos,  caso tivesse que se ausentar
Um dia quando ela foi visitá- los , conseguiu salvar o tal bebê ,segurando - o  por uma perna , porque o irmão , não havia dado conta do recado ! Por um triz!
Quase derrubou o bebezão !
Depois dessa história a senhora, começou a relembrar outra passagem.
(Eu a essa altura já tinha olhado pra trás sorrindo e fazendo notar que eu estava de certa forma no enredo)
Ela veio com essa:
O mesmo garoto , anos antes, quando ela chegou pra trabalhar , debaixo de muita chuva, deixou a sombrinha quietinha na cozinha. Foi fazer seus afazeres e como toda mãe faz ....sentiu muito silêncio no ar.
Deu pelo sumiço do piá...
Passando pelo banheiro ,ouviu o chuveiro ligado, abriu a porta e o box...lá estava ele todo molhado, de roupas, sombrinha armada debaixo dos jatos!
Tomando um  belo dum  banho falso ...ou quem sabe ... uma chuva mentirosa!

(Senti uma certa saudade naquele papo e um...."por anda aquele menininho - homem")

 ao vidro do box!
Lá estava ele, de roupas,

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Toninho

E  ele está internado, sem receber visitas, por ordem médica. E eu que um dia cheguei a pensar  que fosse cuidar dele na velhice, que me preocupava com seu excesso de paieiros, chegando a ser chata... seu excesso de "Xaxixo", seu excesso de coxinhas e refrigerantes no bar, seu gosto estranho por comida com muita gordura, achando que a minha não tinha gosto...
Eu , que sabia e mais ninguém que ele já havia tido um avc.
Que insisti no feitio da dentadura, abandonada logo nos primeiros dias...
Que escutei suas histórias tristes da infância...
Que me indignei  muito com elas...muito serias...
Que tentei saber da clínica psiquiátrica como ele está , sem receber informações...por não ser parente , nem ter credencial...
Eu mesma...hoje me indignei mais um pouco...ao encontrar sua genitora na estrada e a vi, meio que se escondendo entre golas , com o pescoço encolhido , para que eu não a reconhecesse ao passar por ela e assim não pudesse cobrar, entre muitas coisas... por que não fez o acompanhamento do uso ou " não uso " dos seus remédios fortes, que a sua falta o fizeram ...surtar.

Função de mãe é eterna!

Volta

A maçã estava inteirinha, bonita , corada e cheirosa, esperando a primeira mordida da primeira pessoa que iria comprá-la.
 O prato de sopa que estava quente sobre a mesa, esperando a fumaça subir, amornar, para ser dada a primeira colherada na curiosidade de se conhecer o sabor...esperava.
O filme na tv, no aconchego da cama macia, aguardava a pipoca branquinha , chegar ao piruá, e ver o final do filme, num talvez final feliz...
Muitas coisas na vida como essas se fazem de esperas.

E eu?
 Eu , depois de tantos dias e noites , anos também, que prefiro nem contar ,mas muitos...vou agora parar de fazer contas de espera.

Ele , meu filho mais novo com aparência hoje de mais velho por causa do muito sol e vento que lhe judiaram...cabelos clareados naturalmente pela natureza, muitas roupas puidas.
 Está voltando.
Foi com duas rodas e está voltando hoje ,quarta feira... pelos ares, pelas asas de um grande avião.
Hoje à meia noite, chegará...
Melhor que isso: Chegarão!
Ele e sua linda companheira de projetos, planos de futuras aventuras e feitos a dois.
Viva a vida!
Boas vindas!José Guilherme Veiga e Eve Schlosser

Sonho

    Depois de  uma  linda  noite , com a  super lua,veio uma  outra  com  uma  super  chuva! Relâmpagos e alguns  granizos miúdos que  fizeram barulho no  telhado, nos  deixando apreensivos...Não seria  possível que  fossemos  passar  de novo  pelas  mesmas  coisas  ...perdendo  a produção  das  frutas , depois  de um  ano !
Dormi um  sono  profundo , até que  meu  sonho  , me  despertou!
(Eu que  detesto  ouvir  filmes  e  sonhos  contados, estou  aqui  nesse  papel..)
 "Estava no  apartamento  antigo  , lá  da  Doutor  Faivré., mocinha  ainda, me  divertindo com  minha  irmã caçula e  temporona.
A brincadeira  era de  ensiná-la  dar as  primeiras  pedaladas, que  só dava  pra  ser  duas e  atravessar a cozinha  ,até  encostar  na  pia!Ela  não  sabia  frenar . dando com  o  pneu no  armário e  eu  ria ! Ela  também ria  , num  misto de  riso  e  nervoso !
A chave já  estava  na porta, pelo lado de  fora, para  sairmos, e nossa mãe  só  havia  dado  uma  subidinha  pelas  escadas  , no  andar  superior , falar  com  a  vizinha.
A Adriana soltou  a  bicicletinha  no  chão, e eu  corri pro banheiro apurada.Ainda  ouvi  a  mãe  falando, rápido , rápido, que  bagunça que  ficou , heim...O  meu  xixi, saiu devagarzinho,quentinho, quentinho...
Acordei assustada, coração  num tum tum tum  só.Nossa  ... tinha  acontecido !
Rápido, rápido, tinha  que  retirar  o  lençol e  a  capa do  colchão .Mas  como  se  no  meu  lado dormia  um  anjo  , que  não  ronca , não fala dormindo e  nem  faz  essas  coisa  na  cama ? O jeito  foi  fazer  um  enroladinho e  sair  de  fininho, tomar  banho e  trocar  a roupa.
Pronto , banho  tomado, pijama  limpinho,,eu já  podia  dormir  ao lado dele, na  verdade  ao  lado  da  minha  panquequinha  de  coberta .
la


Começo

comeco

....Era uma menininha de nada...,uns cinco anos, se não fosse menos,mas já era decidida quando se tratava de algo que realmente me interessava...Que bom era,sair de perto dos adultos,nessa época...
Nós, reunidos à tarde,depois que um e outro parente ia chegando para o café na casa da vó Durvalina , juntando se aos que já estavam ali.
Sentados numa mesa farta ,entre os "me passa a manteiga por favor",cuecas viradas com açúcar e canela,cuque de banana, se adoçavam os que tinham a boa
ideia de estar ali. Canudinhos de massa de pastel, recheados com maionese sobrada do almoço, fazia os adultos estalarem os olhos e se atracarem em sempre mais um ! As mulheres à mesa falando baixinho de moda, compras de tecidos em metro, aviamentos e costuras . Os homens trocando idéias sobre política e futebol, sobre o que ouviam nos radiozinhos à pilha colados aos ouvidos.
Verdade seja dita, os assuntos deles, continuam os mesmos !
E eu... uma das poucas crianças ali, aproveitando a distração dos grandes , enquanto todos falavam e comiam, deslizava para debaixo da mesa,soltando o corpo mole, devagar,com as bochechas cheias de delícias e saía por entre as pernas das pessoas ,abaixadinha !
As conversas dos adultos nunca interessavam às crianças e "Deus me livre" se abríssemos o bico interferindo nos assuntos !
Não existia essa coisa nova de hoje, dos pais darem mais atenção aos pequenos do que aos grandes,tratando os filhos de "meu príncipe" ou minha princesa" !
Se falássemos alguma coisa fora da hora e jeito, com certeza ouviríamos um grande "sermão" quando chegássemos em casa!
Era melhor, nem tentar !
Melhor mesmo era sair dali ,quietinha e chegar logo no fundo do quintal ,matando o desejo de entrar no " Paiol".
.Cuidando bastante para não sujar a roupa de domingo,que na maioria das vezes era feita em casa pelas mãos da minha mãe. Roupas que lembro que me espetavam por causa dos babados de tule , para dar armação!
Logo na chegada ao Paiol, dois degraus de cimento queimado e uma porta de madeira com trinco de ferro. O quartinho nunca foi trancado, pois não havia nada de valor ali dentro ! Naquela época mais ou menos 1960, eram raros os roubos a fundo de quintal, as portas ficavam sem chaves durante o dia, sendo encostadas somente a noite,por medo de entrada de sapos que povoavam as valetas do bairro.
Logo que entrava, via nas paredes do Paiol, as prateleiras que guardavam há anos, muitas latas de tintas usadas, vidros cheios de pregos, bicicletas desmontadas,janelas sem uso ,teias de aranhas nos cantos e muito pó.
À direita, em frente à janela, por causa da luz, ficava o mais importante para mim...
A velha máquina de costura à pedal
Aquela máquina estava sendo conservada há anos ali... e eu sempre ouvia dizer que era da 'falecida vovó"!
Eu nem sabia quem era a falecida vovó...
Eu nem sabia que ela era a avó da minha mãe...
A avó da minha mãe...A minha bisa ,então !
Depois dos meus olhos "puxados", darem uma olhada em tudo oque estava esquecido ali naquele quartinho,eu estava a sós, enfim, com aquela grande maravilha!
Coraçãozinho batendo forte , em frente à Máquina de Costura da Falecida Vovó!
Com olhos agora,mais abertos do que nunca e o desejo ardente de abrir aquela portinha que eu já conhecia de outros domingos , que arranjava um jeitinho de ir lá... e que fazia um "clecK" delicioso
Faltava agora abrir a portinha onde estava o pedal de ferro escuro próximo ao chão! Depois me enfiar ali dentro, encostar a portinha , me
fechando no escuro só um pouquinho, sem prender os dedos mas só encostando sem dar o estalo.. O medo não podia ficar preso comigo ali
"Deus me livre !
O espaço era muito pequeno pra dois! Ficava ali o tempo certo até acabar o meu ar ...nem respirava
Saía logo em seguida e em pé, ia me deliciar com movimentos de ir e vir no pedal, um pé firme no chão e o outro indo pra frente e pra traz...
Quando depois cansava , faltava por fim, brincar de dar voltas e voltas na roda onde ficava a correia.O pedal daí dançava para baixo e para cima sozinho, num clequec, clequec feito um trem nos trilhos...
Assim Ia brincando com muito cuidado, para um choro não por todo aquele encantamento a perder !
Faltava por fim depois de tudo......o mais gostoso, o mais instigante...
( "a ultima mordida no bolo,é sempre a mais saborosa!)
Me faltava então, só rever oque havia naquele dia, nas três gavetinhas da"Máquina da Falecida Vovó" antes que alguém dessa por minha falta na mesa...
Eu deixava mesmo por último,porque assim tinha mais viva na lembrança tudo, depois que eu fosse embora....Até quem sabe, num outro domingo !
A ansiedade era grande.
E, e se alguém tivesse feito uma faxina ali ?

Jogado fora oque eu adorava ver? Quanta coisa eu queria encontrar...E o medo das gavetas estarem vazias...Era melhor não demorar e abrir logo a primeira, a de cima... E..pra minha alegria ....tudo estava igual ali.
Pecinhas de pequenos consertos sobradas de alguma reforma na máquina
.Molas e parafusinhos, chaves de fenda pequenas parecendo de brinquedo.Toquinhos de giz de costura encardidos pelo uso, dedal,tesourinha enferrujada, tudo com um cheiro bem bom que lembro até hoje, de óleo de máquina antigo e pó.... que permanecia no meu nariz!
Alfinetes com e sem bolinhas e agulhas, impetuosas e enferrujadas, também descansavam ali.
- Na segunda gaveta , coisas que faziam ser "a mais colorida de todas"
Atochadas de pedacinhos de rendas, fitas de todas as cores,sianinhas onduladas, feito ondas do mar! Restos de tecidinhos coloridos de alguma costura antiga.
Carreteis de madeiras claras,com linhas mescladas para bordar à maquina, formavam um arco iris de cores .Iam do branco ao rosa escuro. Do branco ao azul dos mais fortes, sempre do branco aos tons bem coloridos...Dava pra encher a mão com os carreteis!
Os meninos esperavam pacientes eles se esvaziarem ( acho que do mesmo jeito que eu esperava os esmaltes coloridos começarem a secar, para depois ganhar, no salão de beleza da Dona Fita...onde eu ia sempre cortar a franja)( ou mesmo a igual paciência que eu tinha quando acompanhava meu pai à oficina mecânica e ficava esperando o momento certo para pedir ao seu Leônidas umas bolinhas de rolamentos de aço )
Exercícios de paciência !
---Minha mãe vai ficar emocionada de eu ter lembrado da Dona Fita e do Seu Leônidas ...
Quando os carreteis se esvaziavam, com habilidade e jeito , reunidos em dois ou três meninos, eles transformavam os carreteis em" peões de fio" para brincar em
chão liso ! Ficavam por horas lidando com aquilo! ! Era uma diversão muito saudável e não fazia sujeira para as mães reclamarem!
Brincavam, literalmente... horas e horas à fio !
Junto ainda com os carreteis,ficavam as canelinhas , que hoje chamamos de carretilhas, descansavam com voltas e voltas de fios abraçados às suas cinturas,
como carne e osso, ali paradas no tempo...
Por fim , a terceira e ultima gaveta...
Pelo que havia dentro dela, hoje sei que era o lugar onde guardavam as anotações.
Um caderninho cheio de letras que eu não sabia ler e números que também não sabia contar!
Desenhos de modelos de vestidos, medidas de cava ,cintura e busto ,com certeza !
Moldes tirados em papel manteiga que deveriam estar "rançosos " pelo tempo.
Amarradinhos com um fiapo do próprio tecido da costura. Nomes e endereços ...
Coisas que as pessoas que costuraram ali,nunca tiveram coragem de jogar fora em respeito aos seus antigos donos.Conhecer a organização dessas gavetas me trouxeram a lição de que "tudo deve estar no lugar certo e que cada coisa tem sua utilidade e valor!
Como a minha infância foi premiada com altos e baixos financeiros, convivi com o "dar valor às coisas ", "guardar e "reutilizar as coisas".Roupas,utensílios e bens.
Lembro muito bem dos meus pais começarem a vida com duas bicicletas,com duas cadeirinhas, depois uma motocicleta,com side car , depois um jipe e enfim, um carro... Sempre muito polidos e
cuidados ! Nada de herança!
A herança que tento passar é que meus filhos e netos,zelem por aquilo que tem.
Tanto zelei pelos "meus escritos" que durante a vida foram se acumulando em muitas gavetas em muitos lugares que morei..
Viajaram sempre comigo.
Escrevi coisas serias e muitas outras divertidas, situações passadas por mim, coisas que vi e vivi !
Convido-os então a estarem" Abrindo minhas gavetas..

domingo, 20 de janeiro de 2019

Não tenho ido mais ao mar ...
Deixei a areia branca

a praia
as espumas, os pores de sol
a esperar !

Estou no campo verde,
com a terra
cor tijolo,
pedra , chão firme e planta a brotar.

Gaivotas não gritam mais ao entardecer...
Só os quero - quero... até aborrecer!

Não pinto mais os guarda- mancebos , mastro e convés da minha embarcação,..
pinto agora , paredes e cercas da plantação...

Troco a areia infértil pela terra rica e gorda
como fala o povo aqui... marrão !

Mas oque me falta , tanto la como aqui ,
é o desejo
é o gosto ,
de reunir alguns amigos...


pra uma roda de chimarrão .

domingo, 6 de janeiro de 2019

Sem nocao

E eu... Numa boa, dentro do mar, feliz, boiando, mergulhando.
Marzinho calmo, aguinha morna...
Na areia meu guarda sol armado, minhas duas cadeirinhas de praia, meus bens pessoais num sacolinha.
De  repente, do nada, na praia vazia, um pessoa se aproxima do meu espaço, entra debaixo do meu guarda sol, com um isoporzinho e fica ali...
Na desconfiança do tal sujeito furtar meus óculos ou dinheiro fui até o guarda sol. Sentei devagarinho ao seu lado e ele nem me notou... Pegando gelo para seu Whisky ao me ver, nem se e explicou... pegou seu copo e como se brindasse comigo me ofereceu uma dose  caso eu quisesse.
Eu não queria nada...eu só queria meu sossego, eu só queria que ninguém viesse tirar a minha paz, eu só queria que ali não tivesse nenhum ladrão de sombra!